Análise: recuo de preço de ‘grandes commodities’ influencia queda do IGP-M
Índice responsável pelo reajuste da maior parte dos contratos de aluguel no país caiu em fevereiro
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O IGP-M (Índice Geral de Preços — Mercado), que é o indicador responsável pelo reajuste da maior parte dos contratos de aluguel no país, caiu em fevereiro. O índice registrou queda de 0,73%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Para efeito de comparação, em fevereiro de 2025, o IGP-M subiu 1,06% e acumulava 8,44% em um ano. Agora, com essa variação negativa, o índice teve queda total de 2,67% nos últimos 12 meses. Assim, locações com contratos atrelados ao indicador e vencimento em março não terão reajuste.

O cálculo do IGP-M considera os preços de bens, serviços e matérias-primas usadas na produção agrícola, industrial e na construção civil. Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, commodities importantes — como soja, milho e minério de ferro — apresentaram queda em fevereiro. “Então, quando itens de peso, como essas grandes commodities, apresentam retração, recuo em seus preços, isso acaba influenciando o IGP-M como um todo”, explica.
O coordenador expõe que a queda no preço dessas grandes commodities, que acabam sendo matéria-prima para outros setores importantes, antecipa outras quedas que podem chegar até o consumidor.
Sobre contratos com vencimento em março que não sofrerão reajustes, Braz explica que o fator depende do que foi acordado. “Alguns contratos ainda permanecem citando o IGP-M como indexador. Então, quando o IGP-M não sobe de preço, ou mesmo quando ele fica negativo, esses contratos não sofrem reajuste”, diz em entrevista ao Hora News.
“Tivemos uma safra superpositiva, uma valorização do real frente ao dólar, estabilização de várias pressões. Então, gradualmente, o IGP-M vem encontrando espaço para desacelerar. Ele fechou o ano passado em queda. E inicia 2026 também, acumulando queda. Então, mostra que as pressões inflacionárias, nesse momento, seguem muito controladas. Apesar do cenário ser de incertezas”, pontua.
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Em relação aos preços dos aluguéis, Braz opina que as pessoas procuram aluguel com mais frequência. E, como a demanda está crescendo, é mais difícil alugar por um valor mais baixo.
“Eu diria que a tendência do preço dos aluguéis não é de seguir exatamente essa queda registrada pelo IGP. Existe uma mudança muito grande no mercado. Existem muitos apartamentos agora destinados à locação de curta duração. Isso compete muito com esses aluguéis de prazo mais longo. Então, diminuindo a disponibilidade de imóveis para alugar para prazos mais longos, você cria uma oferta menor de imóveis e isso acaba empurrando o valor do aluguel para cima”, conclui.
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