Economia Após greve, economia volta a ter resultados positivos em junho

Após greve, economia volta a ter resultados positivos em junho

Indústria, comércio e serviços cresceram em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, revela IBGE

  • Economia | Alexandre Garcia, do R7

Indústria cresceu 13% em junho, na comparação com maio

Indústria cresceu 13% em junho, na comparação com maio

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A economia brasileira voltou a crescer após o fim da greve dos caminhoneiros. Considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) apontou que as riquezas do país cresceram 3,29% em junho, em sinal de recuperação após a paralisação.

De acordo com dados revelados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), comércio, indústria e serviços cresceram ante o mesmo período do ano passado.

O professor de finanças públicas Roberto Bocaccio Piscitelli, da UnB (Universidade de Brasília), afirma que a análise sob o ponto de vista isolado do mês de junho "não traz grades conclusões" devido ao impacto da greve dos caminhoneiros. "Era de se esperar uma recuperação, mas isso não significa que esse processo deva persistir em massa porque há uma paralisia da economia", avalia.

Na comparação com o mesmo mês de 2017, apenas o comércio havia apresentado resultado positivo (+2,7%) em maio. Os setores de indústria e serviços despencaram 6,6% e 3,8%, respectivamente, no mês marcado pelo início da greve.

Para o coordenador de contas regionais do Ipece (Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará), Nicolino Trompieri, o ramo industrial tende a sofrer mais com a falta de abastecimento devido ao modelo atual de produção com pouco estoque. “A produção caiu e foi mais afetada do que as outras atividades porque grande parte das indústrias trabalham com matéria-prima imediata e, por isso, precisa do movimento dos transportes”, analisa. 

Por outro lado, Piscitelli observa o comércio como o setor “menos sensível” aos obstáculos causados pela paralisação dos caminhoneiros. “A tendência era mesmo de que o comércio sofresse menos essas variações, mas existem muitos ramos. O setor de combustíveis, por exemplo, foi muito impactado”, diz o professor da UnB. 

Mesmo ainda com os efeitos da paralisação dos motoristas no começo do mês, junho já teve resultados mais animadores para os setores da economia nacional. No período, indústria, comércio e serviços cresceram, respectivamente, 3,5%, 1,5% e 0,9% ante o mesmo mês do ano passado.

Na análise mensal, os três setores tiveram desemprenho negativo em maio, o que não foi revertido em junho apenas pelo comércio, que registrou queda de 0,3% no mês. Com a mesma base de comparação, a indústria saltou 13,1% e os serviços subiram 6,6%.

Para os próximos meses, Piscitelli prevê que ainda “vai demorar bastante” para a recuperação completa da economia e destaca ser melhor “aguardar mais um pouco para ver se há uma tendência de retomada” no crescimento das riquezas brasileiras. 

"O quanto esse resultado vai indicar um PIB do segundo trimestre positivo, a gente vai ter que aguardar os dados oficiais a serem publicados agora no final de agosto", completa Trompieri, que observa o resultado "puxado para baixo" devido à greve.

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