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Ataques ao Irã: entenda como ocorre o efeito em cadeia da elevação do preço do petróleo

No último sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã sob a justificativa de ameaça à segurança

Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Escalada do conflito entre EUA e Irã afeta mercado financeiro, elevando preços do petróleo.
  • Aumentos na cotação internacional de petróleo podem impactar os preços dos combustíveis no Brasil.
  • Especialistas alertam que a alta dos preços pode gerar inflação e afetar a economia doméstica.
  • Conflito se intensificou após ataques aéreos, com consequências diretas para o setor energético global.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Escalada do conflito afetou preço do petróleo Alexandre Brum/Petrobras

A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã afetou diretamente o mercado financeiro, com altas no preço do petróleo e queda das ações. As oscilações não trazem impactos apenas para os iranianos e norte-americanos, mas também para o Brasil, que pode sofrer uma pressão no preço dos combustíveis.

Na manhã desta segunda-feira (2), o Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, a B3, caiu mais de 2 mil pontos e o barril de Brent (como é chamada a referência para o preço do petróleo) teve um aumento de quase 8%. As variações ocorrem após ataques norte-americanos ao Irã, o que resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.


No caso do petróleo, o aumento se dá, principalmente, pela obstrução no Estreito de Ormuz, anunciada ontem pelo Irã.

Lá transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Além dos riscos para os EUA e Irã, a interrupção do fluxo também pode pressionar os preços no Brasil.


A instabilidade na rota, majoritariamente controlada pelo Irã, tende a ampliar a volatilidade nos mercados internacionais e a pressionar os preços da commodity, com potenciais efeitos sobre a economia global em termos de inflação, juros e crescimento econômico.

A economista e coordenadora dos cursos de negócios internacionais e relações internacionais da PUCPR, Patricia Tendolini, explica que, apesar de o Brasil não depender do petróleo iraniano, a restrição pode afetar os preços no país.


“Ainda que o Brasil não dependa diretamente do petróleo iraniano, aumentos persistentes na cotação internacional podem repercutir sobre a inflação doméstica, custos de transporte, expectativas macroeconômicas e decisões de política monetária, sem contar os efeitos indiretos de uma piora da economia global”, disse.

O presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de SP), José Paiva Gouveia, também disse acreditar que a escalada do conflito deve interferir nos preços da gasolina do Brasil.


“Vai refletir no mundo inteiro, mas temos que esperar o que a Petrobras vai fazer”, disse, ao comentar sobre o papel da estatal nos preços.

Professora de Relações Internacionais da PUCPR, Ludmila Culpi reforça que o Irã é um dos maiores fornecedores de petróleo do Golfo Pérsico. Assim, a elevação do preço impactaria diversas cadeias produtivas, gerando um efeito cascata para o Brasil.

“Essa elevação do preço impactaria as cadeias produtivas globais como um todo, o que pressionaria os preços internos dos combustíveis no Brasil e indiretamente provocaria alta generalizada de preços. Por outro lado, caso sejam aplicadas sanções extras ao Irã, pode haver impacto de queda das nossas exportações, especialmente se o Irã for excluído do sistema de pagamento SWIFT”, explica.

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Commodity global

Cesar Queiroz, especialista de mercado financeiro, também acredita que o preço na bomba pode ser pressionado. Segundo ele, apesar de o país ser produtor de petróleo, exporta óleo cru e importa derivados. Entra, então o conceito de commodity: matérias-primas essenciais, produzidas em larga escala, com baixo valor agregado e pouca industrialização, cujos preços são definidos pela oferta e procura no mercado internacional.

“Por se tratar de uma commodity global, sim, a volatilidade de preços que a gente começou a assistir, com o preço do barril batendo mais de US$ 70, indica uma tendência de continuidade na escalada desses preços”, afirmou.

Ele acrescenta que, “num primeiro momento, a gente pode assistir, sim, a um aumento no preço base no Brasil”.

Queiroz explica que transporte e logística sentem os efeitos de forma imediata, devido à dependência do diesel. O agronegócio também sofre impacto duplo: elevação no custo dos combustíveis utilizados na produção e alta no preço de fertilizantes, muitos deles derivados do petróleo.

O especialista ainda demonstra preocupação com a relação comercial com o Irã, tradicional comprador de milho e soja brasileiros. Para ele, a instabilidade pode prejudicar exportações. Indústria química, setor de plásticos e aviação completam a lista de áreas sensíveis em momentos de tensão no Golfo Pérsico.

Irã x EUA

O conflito entre os EUA e o Irã tomou uma proporção maior durante a guerra em Gaza, quando o grupo terrorista Hamas estava sendo financiado por iranianos. No ano passado, Trump retomou a campanha contra Teerã, ao mesmo tempo em que iniciou negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano.

A tensão aumentou ainda mais após a Agência Internacional de Energia Atômica declarar que o Irã estava violando suas obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. Na sequência, o governo abriu um local secreto para enriquecimento de urânio. No dia seguinte, Israel realizou um ataque nuclear.

Após uma semana de ataques aéreos entre Israel e Irã, os Estados Unidos decidiram intervir e atacaram três instalações nucleares iranianas em Fordow, Isfahan e Natanz, em junho.

Segundo o governo Trump, os ataques prejudicaram a capacidade do Irã de obter urânio enriquecido para armas, mas o chefe da agência nuclear da ONU avaliou que o programa sofreu um atraso de alguns meses.

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