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Baixa ociosidade sustenta desemprego recorde no Brasil, dizem economistas

Especialistas apontam avanço de vínculos flexíveis e menor necessidade de crescimento para absorver mão de obra

Economia|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% em 2025, o menor nível desde 2012.
  • Economistas atribuem essa redução a um mercado de trabalho aquecido e baixos níveis de ociosidade.
  • O aumento do salário mínimo impulsionou o setor de Serviços, enquanto a informalidade tradicional diminui.
  • Os dados sobre desemprego podem influenciar o cenário eleitoral, refletindo na percepção pública sobre a economia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Taxa de desocupação no Brasil fechou 2025 em 5,1% Tomaz Silva/Agência Brasil

Economistas avaliam que a taxa de desemprego recorde registrada no fim de 2025 reflete um mercado de trabalho aquecido e com baixo nível de ociosidade, ainda que a economia brasileira dê sinais de desaceleração.

Para especialistas ouvidos pelo R7, o cenário combina estímulos econômicos recentes com mudanças estruturais na força de trabalho, criando uma sensação de “pleno emprego estatístico”, mesmo sem um crescimento robusto do PIB.


Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desocupação fechou 2025 em 5,1%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012, consolidando um dos períodos de maior ocupação da população brasileira.

Na avaliação de especialistas, o resultado indica que a economia precisa crescer menos para absorver a mão de obra disponível, o que ajuda a explicar a resiliência do mercado de trabalho em um contexto de incertezas.


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Para o economista Tiago Velloso, o resultado é um reflexo do momento vivido pelo país. “Isso mostra uma economia que, apesar de todos os ruídos, segue rodando com mercado de trabalho forte e baixo nível de ociosidade”, comenta.

O também economista Pedro Gonga enxerga essa queda como fruto de uma combinação de fatores econômicos e sociais ligados à dinâmica de oferta e demanda.


Segundo ele, o aumento do salário mínimo impulsionou especialmente o setor de Serviços — principal empregador do país — enquanto o envelhecimento da população reduziu a entrada de novas pessoas no mercado de trabalho.

“Ou seja, a economia precisa crescer menos para absorver a mão de obra disponível, gerando a sensação de pleno emprego mesmo com o PIB desacelerando”, afirma.


Mudanças na empregabilidade

A pesquisa revelou um aumento de carteiras assinadas, especialmente no setor privado, que também contou com recorde histórico, totalizando 38,9 milhões de pessoas empregadas formalmente no setor em 2025.

Por outro lado, a informalidade segue em queda, ainda mantendo uma forte relevância. O número de empregados da iniciativa privada sem carteira assinada caiu 0,8%, mas especialistas acreditam em uma nova modalidade “maquiada” dessa contratação.

Segundo Gonga, a informalidade tradicional — sem CNPJ ou contrato — perde espaço, enquanto ganham força modelos como o PJ, além de categorias como “prestadores de serviço” e “contratos intermitentes”, que oferecem menor proteção social.

O economista e professor Guilherme Jung vê um “meio-termo entre emprego formal e informal”. “A tendência é de continuidade desse arranjo mais fragmentado, com contratos por projeto e múltiplas fontes de renda, além de provável debate regulatório sobre proteção mínima, ou seja, menos desemprego aberto com vínculos mais diversos”, explica.

Impacto eleitoral

Velloso reforça que o cenário é positivo pelo ponto de vista social, mas que pode pesar a balança para a corrida eleitoral. Isso porque, com a abertura de muitas vagas e poucos profissionais dispostos a ocupá-las, o preço de serviços num geral demora mais para cair. Isso faz com que o BC (Banco Central) “segure” os juros, buscando evitar um aumento dos valores.

“Os juros eventualmente sofrerão a queda, mas de forma mais demorada para evitar desgaste ao governo em um ano de eleição. Por outro lado, a cobrança por excesso de gastos desse mesmo governo tende a aumentar”, opina.

Jung acrescenta que os dados sobre desemprego devem impactar no cenário eleitoral pois “são fáceis de comunicar, têm leitura direta pela população e costumam ser usados em campanhas como prova de desempenho econômico”.

Ele frisa que “o número entra no debate como argumento de narrativa do governo, mas raramente decide sozinho o resultado eleitoral”.

“Taxa de desemprego baixa é politicamente apelativa porque sintetiza renda, atividade e oportunidade em um único número. Ao mesmo tempo, o efeito eleitoral depende de como o dado é percebido no dia a dia, qualidade das vagas, renda real e custo de vida pesam tanto quanto a taxa cheia.”

*Sob supervisão de Augusto Fernandes

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