Economia Banco Central admite inflação de 8,8% ao fim de 2022

Banco Central admite inflação de 8,8% ao fim de 2022

Se confirmada, expectativa mostra que o índice oficial de preços vai furar o teto da meta do governo pelo segundo ano consecutivo

  • Economia | Do R7

Projeção sinaliza para desaceleração dos preços nos próximos meses

Projeção sinaliza para desaceleração dos preços nos próximos meses

Marcello Casal Jr./Agência Brasil - 16.9.2021

O BC (Banco Central) revisou nesta quinta-feira (30) sua projeção de inflação no cenário básico de 7,1% para 8,8% neste ano, de acordo com informações apresentadas no RTI (Relatório Trimestral de Inflação). Inicialmente prevista para a semana passada, a revelação dos dados do documento foi adiada em função da greve dos servidores da autoridade monetária.

De acordo com o relatório, após a inflação acumulada em 12 meses atingir o pico de 12% no segundo trimestre, ela terá uma trajetória de queda até o fim do ano. A elevação da projeção leva em conta uma alta de 9,5% dos preços livres e de 7% dos administrados, tais como combustíveis, energia elétrica e planos de saúde. 

"A inflação de preços livres vai se reduzindo ao longo do tempo na medida em que os efeitos da inércia vão se dissipando e os efeitos da trajetória da taxa de juros real utilizada acima da taxa neutra passam a predominar. Entre os preços administrados, destacam-se, como itens inflacionários para 2022, combustíveis, produtos farmacêuticos, plano de saúde, emplacamento e licença e taxa de água e esgoto", analisa o documento.

Se confirmada, a expectativa do BC mostra que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) vai superar a meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para a inflação em 2022, de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto (de 2% a 5%), pelo segundo ano consecutivo.

A nova projeção surge em um momento de desaceleração do índice oficial de preços, que subiu 0,47% em maio, ante alta de 1,06% em abril. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA segue acima dos dois dígitos, com taxa de 11,73% após a primeira queda na base de comparação em um ano.

O relatório menciona ainda o risco de maior persistência da pressão global de preços industriais, em contexto de lockdowns na China, de rearranjos das cadeias produtivas em decorrência da guerra na Ucrânia e de inflação disseminada globalmente, que são elementos determinantes para a elevação das estimativas.

Crescimento econômico

Na semana passada, ao antecipar alguns dos dados do RTI, a autoridade monetária elevou de 1% para 1,7% a perspectiva de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

A revisão, na comparação com a análise divulgada em março, considera que o crescimento de 1% da economia no primeiro trimestre surpreendeu positivamente e leva em conta que o setor de serviços, responsável por 70% do PIB, deve crescer 2,1% neste ano.

O diretor de política econômica do BC, Diogo Guillen, no entanto, avalia o ciclo que elevou a taxa básica de juros da economia em 11,25 pontos percentuais no período de um ano e meio como um fator que vai limitar o desempenho futuro da economia nacional.

"Grande parte do aperto monetário ainda vai ser sentido, tanto na inflação quanto no crescimento. Então, nós esperamos uma desaceleração da atividade nos próximos trimestres", disse Guillen na semana passada.

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