Economia Banco Central e Febraban anunciam mutirão de renegociação de dívidas 

Banco Central e Febraban anunciam mutirão de renegociação de dívidas 

Agências bancárias ficarão abertas duas horas a mais de 2 a 6 de dezembro para promover refinanciamento antes do Natal e do Ano-Novo

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

José Cruz/Agência Brasil

Do dia 2 a 6 de dezembro, 261 agências bancárias em todo o país vão funcionar duas horas a mais para atender clientes que queiram refinanciar dívidas, com taxas de juros e prazos especiais. A proposta faz parte do mutirão para renegociação de dívidas bancárias, que será promovido pelo BC (Banco Central) e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

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A ideia é que as agências bancárias fiquem abertas além do expediente normal, para promover renegociações de dívidas antes do Natal e do Ano-Novo.

O mutirão também vai incluir educação financeira. Quem for participar irá receber um guia e poderá assistir a vídeos com orientações sobre como administrar o orçamento pessoal e evitar linhas de créditos com juros altos, como o rotativo de cartão de crédito e cheque especial.

A iniciativa deverá ser anunciada nesta quinta-feira (21) pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa em São Paulo, junto com o presidente da Febraban, Murilo Portugal, de cerimônia de assinatura do Acordo de Cooperação Técnica, com o objetivo de promover ações coordenadas na área de educação financeira.

Limpar o nome antes do Natal

Com o mutirão, os clientes poderão limpar o nome antes das compras de fim de ano, afirmou o presidente do BC durante audiência pública na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), nesta quarta-feira (20), na Câmara dos Deputados.

Campos Neto disse que a instituição pretende repetir esse tipo de ação em 2020, aliando a educação financeira à concessão de crédito com juros mais baixos, por meio de um sistema de pontuação semelhante ao dos programas de fidelidade.

“Queremos fazer ações junto com os birôs de crédito. Quem fizer o curso, acabará tendo uma classificação de crédito superior atrelado ao ganho de pontos que gerem desconto em produtos financeiros. Porque quem tem mais educação financeira tem menos inadimplência", disse Campos Neto.

Pagamentos instantâneos

Na audiência pública, Campos Neto anunciou que o BC pretende lançar, até o fim do próximo ano, um sistema instantâneo de pagamentos que funciona 24 horas por dia e sete dias por semana e funcionará como alternativa  à Transferência Eletrônica Disponível (TED) e ao Documento de Ordem de Crédito (DOC), que não funcionam de forma instantânea.

Atualmente, o valor transferido por DOC só chega à conta do destinatário no dia útil seguinte ou dois dias úteis depois, para transações após as 21h59. No caso do TED, o dinheiro é transferido em alguns minutos para operações antes das 17h. No entanto, a partir desse horário, a transação só é concluída no dia útil seguinte.

Segundo ele, o novo sistema diminuirá a demanda por dinheiro em espécie. “Os pagamentos instantâneos devem estar funcionando no fim do ano que vem. O dinheiro vai sair de uma conta para outra, independente de quem seja, empresa ou pessoa física, 24 horas por dia, sete dias por semana. Diminui a demanda por dinheiro em espécie”, declarou.

Cheque especial

Assim como na audiência pública do dia 19 na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Campos Neto reafirmou que o BC lançará, até o fim do ano, um plano para reduzir os juros do cheque especial das pessoas físicas. Ele reiterou que esse produto, que cobra juros em torno de 300% ao ano, prejudica principalmente os clientes de baixa renda.

“O cheque especial é um produto muito regressivo. Quem está pagando o custo está embaixo na pirâmide. É como se quem estivesse embaixo pagasse o luxo de quem está em cima. É um produto mais usado pela renda mais baixa e por quem tem menos educação financeira. Precisamos fazer uma reengenharia para diminuir regressividade”, declarou.

Sobre o spread bancário, diferença entre os juros que o banco paga para captar recursos e cobra do tomador de crédito, o presidente do BC disse que a instituição estuda medidas para tornar mais ágil a recuperação, pelos bancos, de bens dados como garantia (bens usados para cobrir a inadimplência) nas operações de crédito. Segundo Campos Neto, atualmente a recuperação de crédito leva muito tempo sendo discutida na Justiça.