Banco Daycoval pede registro para IPO

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Daycoval pediu na segunda-feira registro de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), poucas horas depois de outro banco, o BV, ter feito o mesmo, mostrando como empresas de vários setores estão aproveitando o juro básico do país na mínima histórica para buscar recursos no mercado de capitais.

A operação, que será conduzida por Itaú BBA, BTG Pactual, Santander Brasil e Bank of America Merrill Lynch, envolve ofertas primária e secundária de ações preferenciais do Daycoval, que será listado no nível 2 de governança da B3.

Criado há mais de 50 anos, o Daycoval é especializado no crédito para empresas pequenas e médias, com receita bruta anual de até 300 milhões de reais. No varejo, o banco se dedica a empréstimos consignados, imobiliários e para compra de veículos.

Em janeiro, a Reuters noticiou que o banco estava planejando um IPO em abril, voltando à bolsa três anos após fechar o capital, com uma oferta estimada em 3 bilhões a 4 bilhões de reais. Em 2016, o Daycoval saiu da bolsa recomprando suas ações por cerca de metade do valor do IPO, em 2007.

O banco fechou 2019 com uma carteira de crédito ampliada de 27,3 bilhões de reais, incluindo avais e fianças, um aumento de 38,8% em relação ao ano anterior. Já o lucro recorrente deu um salto de 50%, para 984 milhões de reais, com o retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado (ROE) subindo 7,2 pontos percentuais, para 27,7%.

Assim como o BV, o Daycoval pretende se valer de parcerias com fintechs para capturar clientes mal assistidos pelo mercado bancário tradicional.

No prospecto preliminar, o Daycoval diz que pretende usar os recursos da oferta primária --ações novas, cujos recursos vão para o caixa da companhia-- para fortalecer a estrutura de capital, permitindo ampliar a oferta de crédito.

Carlos Moche Dayan, Morris Dayan, Rony Dayan e Salim Dayan, da família controladora, serão os acionistas vendedores na oferta secundária.