BC reduz taxa básica de juros pela oitava vez seguida, a 2,25% ao ano

Veredito unânime do Copom leva a Selic ao menor patamar da história na tentativa de limitar os efeitos do novo coronavírus na economia

Decisão do BC confirma expectativas do mercado

Decisão do BC confirma expectativas do mercado

Enildo Amaral/Banco Central

O BC (Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (6) pela oitava redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira. Por unanimidade, os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) optaram por cortar a Selic novamente em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano. Trata-se do menor patamar da história.

A redução dos juros básicos foi novamente influenciada pelo efeito da pandemia do novo coronavírus e tem o objetivo de estimular a economia nacional. Isso acontece porque o crédito mais barato tende a incentivar a produtividade e impulsionar o consumo das famílias.

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"A pandemia da covid-19 continua provocando uma desaceleração pronunciada do crescimento global. Nesse contexto, apesar da provisão significativa de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador", avaliou o Copom ao anunciar a decisão.

De acordo com os representantes do BC, a incerteza a respeito da recuperação da economia ao longo do segundo semestre "permanece acima da usual" com indicadores recentes, que apontam para uma contração da atividade econômica ainda maior no segundo trimestre.

O novo corte da Selic atende às expectativas do mercado financeiro, que apostava justamente em uma nova baixa de 0,75% nos juros básicos. De acordo com os analistas ouvidos semanalmente pelo BC, a taxa básica deve permanecer no patamar atual pelo menos até o final do ano. Para 2021, a aposta é de que a Selic retome o patamar de 3,5% ao ano.

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Para as próximas reuniões, o Copom afirma que é "apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda" antes de decidir a respeito de novos cortes de juros. "O Comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos", pontua o órgão.

Votaram a favor do corte o presidente do BC, Roberto Oliveira Campos Neto, e os diretores Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Selic 

Conhecida como taxa básica, a Selic representa os juros mais baixos a serem cobrados na economia e funciona como forma de piso para as demais taxas cobradas no mercado financeiro.

Em linhas gerais, a taxa básica de juros é aquela que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.

A taxa básica também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.

Sempre que o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.