Economia Bolsa cai 2% e dólar bate em R$ 4 com prévias na Argentina

Bolsa cai 2% e dólar bate em R$ 4 com prévias na Argentina

Ameaça de uma nova política intervencionista atingiu mercado. Moeda americana perdia força no começo da tarde, sendo cotada a R$ 3,9845

O Índice Bovespa terminou em baixa de 2%

O Índice Bovespa terminou em baixa de 2%

Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

O cenário internacional já adverso ganhou novo ingrediente nesta segunda-feira (12) com as eleições primárias na Argentina, que apontaram para a derrota do atual presidente, Mauricio Macri. Os temores do ressurgimento de uma política intervencionista no país vizinho, com risco de calote e outros desdobramentos, atingiram em cheio a Bolsa brasileira.

Entre as ações mais penalizadas estiveram as de empresas com atividade econômica na Argentina, principal parceiro do Brasil no Mercosul. O Índice Bovespa terminou o dia em baixa de 2,00%, aos 101.915,22 pontos. Em dólares, a perda no final do pregão foi de 3%.

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As quedas do Ibovespa foram generalizadas entre as blue chips, com destaque para bancos. O bloco de maior peso na carteira do Ibovespa teve perdas expressivas, como Banco do Brasil ON (-3,39%), Itaú Unibanco PN (-4,14%) e Bradesco PN (-2,09%). Os papéis de Petrobrás e siderúrgica também se sobressaíram entre as quedas. Gerdau PN caiu 2,71% e Petrobras PN recuou 2,69%.

Entre as ações da carteira do Ibovespa, a maior queda foi de Gol PN (-7,20%), afetada pela alta do dólar e pelas atividades da empresa nos países da América do Sul. CVC ON, que recentemente adquiriu o grupo argentino Almundo, dobrando sua participação na Argentina, caiu 3,02%. Entre as altas do dia, a liderança ficou com empresas exportadoras, beneficiadas pela alta do dólar e pela expectativa de resultados positivos. JBS ON subiu 5,76%, Marfrig ON ganhou 3,59% e Suzano ON avançou 1,25%.

Dólar

O dólar chegou a superar R$ 4,00, influenciado pela Argentina. Pela tarde, os ânimos se acalmaram, quando o peso reduziu o ritmo de alta após o banco central argentino injetar recursos no mercado e subir os juros, mas o clima de cautela prosseguiu.

Além da crise no país vizinho, a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China e a intensificação dos protestos em Hong Kong contribuíram para estimular a fuga de ativos de risco e fortalecer o dólar ante moedas emergentes. O dólar à vista fechou em alta de 1,09%, a R$ 3,9834, maior nível desde 28 de maio, quando terminou em R$ 4,02.

Com o cenário externo mais adverso, o banco americano JPMorgan elevou a estimativa para o dólar no Brasil no final de 2019 de R$ 3,90 para R$ 4,00. Eventos positivos no mercado doméstico, como a expectativa de que a reforma da Previdência deve ser totalmente aprovada no Senado até outubro, estão sendo ofuscados por eventos no mercado internacional, principalmente a intensificação da tensão comercial entre China e Estados Unidos e agora a Argentina.

Com o noticiário internacional agitado, o volume de negócios foi alto hoje no câmbio, com giro de US$ 20 bilhões no mercado futuro até às 17h15. O dólar para setembro subia 0,98% neste horário, para R$ 3,9865. Na máxima, chegou a R$ 4,02.