Economia Bolsa tem 4º alta mensal seguida e fecha julho perto dos 103 mil pontos

Bolsa tem 4º alta mensal seguida e fecha julho perto dos 103 mil pontos

Ibovespa fechou o último pregão do mês com baixa de 2%, mas acumulou ganho de 0,52% na semana e de 8,27% no acumulado de julho

Reuters

Paulo Whitaker/Reuters - 24.6.2019

Apesar das perdas nesta sexta-feira, o Ibovespa acumulou mais um mês positivo, que teve como destaque novamente a participação de pessoas físicas na bolsa, além de nova safra de ofertas de ações, em meio a noticiário misto sobre a pandemia do novo coronavírus e a recuperação das economias globais.

O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira em queda de 2%, a 102.912,24 pontos, mas contabilizando um acréscimo de 0,52% na semana e de 8,27% no mês, enquanto, no ano, ainda tem declínio de 11,01%. O volume financeiro na bolsa nesta sexta-feira somou 34,69 bilhões de reais.

Agentes financeiros, contudo, já se questionam sobre a capacidade de mais ganhos expressivos do Ibovespa à frente sem novos catalisadores, embora o cenário de juros extremamente baixos no país continue sendo um relevante patrocinador da migração de recursos para as ações.

Com a Selic a 2,25% ao ano e chance de recuar ainda mais na próxima semana, a participação das pessoas físicas na Bovespa alcançava 27% no último dia 29 de julho, ante 24,2% no final de junho, ocupando espaço de institucionais e estrangeiros, que tiveram suas fatias reduzidas a 23,8% e 44,4%, respectivamente.

Do lado da pandemia, o crescimento de casos nos Estados Unidos e Europa, principalmente, preocupa, mas sem sinais de nova rodada agressiva de lockdowns esse receio acaba sendo contrabalançado pelo avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus ao redor do mundo.

O começo da temporada de balanços no Brasil também corroborou o pensamento daqueles que acreditam em potenciais surpresas positivas diante de expectativas já tão pessimistas para os resultados da companhias brasileiras no momento mais agudo da crise desencadeada pelo coronavírus.

Do grupo que faz parte do Ibovespa, Weg abriu o calendário, com números fortes, assegurando a liderança entre os papéis do índice com melhor desempenho no acumulado do ano e do mês. Na sequência, porém, demonstrações de empresas como Petrobras, Bradesco, Vale, Cielo refletiram mais os efeitos da crise.

No exterior, os resultados de empresas na Europa e Estados Unidos também têm mostrado sinais mesclados e revisões nas perspectivas do ano, enquanto dados recentes sobre a economia norte-americana têm preocupado sobre o risco de uma desaceleração no ritmo de retomada da maior economia do mundo.

A União Europeia fechou acordo para mais estímulos e o Federal Reserve, por sua vez, reiterou que continuará fazendo o que estiver ao seu alcance. Nos EUA, as atenções estão voltadas para negociações no Congresso para mais estímulos, com parte das medidas de combate à crise expirando nesta semana.

Para o analista gráfico da Clear Corretor Fernando Góes, o Ibovespa ficará um pouco "lateralizado", com chance de chegar aos 107 mil, mas oscilando entre este patamar e os 102 mil pontos, com rotação de posições entre setores.

Destaques

- WEG acumulou no mês elevação de 33,33%, em movimento reforçado após o resultado do segundo trimestre, que a companhia atravessou com alta de mais de 30% no lucro e prometendo entregar neste ano uma rentabilidade sobre capital investido "saudável". No ano, a alta dos papéis alcança 95,68%.

- COGNA contabilizou em julho elevação de 25,26%, em boa parte refletindo expectativa atrelada ao IPO da subsidiária de educação Vasta, uma vez que parte dos recursos da oferta será usada para pagamento de dívida à companhia. Precificada na véspera, a oferta levantou US$ 405,9 milhões. Nesta sexta-feira, porém, Cogna caiu 12,47%.

- LOCALIZA valorizou-se 24,47%, com boa parte desse movimento acontecendo no final do mês, após a companhia dizer que todos os segmentos atendidos estão mostrando algum crescimento no início deste trimestre e que poderá ter uma recuperação gradual na margem de lucro até setembro.

- IRB BRASIL RE recuou 21,60%, sem refresco na pressão de baixa, com agentes financeiros ainda melindrados com a resseguradora por causa das revisões de seus resultados anteriores em razão de fraude contábil e tendo no radar aumento de capital via subscrição privada anunciado recentemente.

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