Economia Bolsas globais têm queda com temor sobre nova variante

Bolsas globais têm queda com temor sobre nova variante

No Brasil, o Ibovespa recua mais de 3%, com perdas maiores nas ações ligadas ao setor aéreo e ao consumo

Agência Estado
Telas mostram as taxas de câmbio na sala de negociação do KEB Hana Bank, em Seul

Telas mostram as taxas de câmbio na sala de negociação do KEB Hana Bank, em Seul

LEE JIN-MAN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A notícia sobre uma nova variante da Covid-19 potencialmente perigosa na África do Sul provoca uma onda negativa nos mercados acionários globais nesta sexta-feira (26). Na Ásia e na Europa, os principais índices de ações fecharam em queda.

O temor também atinge o mercado brasileiro. Na B3, a Bolsa de São Paulo, o Ibovespa caía 3,55% às 14h18, para 102.021,12 pontos, com recuo praticamente generalizado na carteira de ações — mais cedo, o índice atingiu a casa dos 101 mil pontos.

Os papéis PN da Gol e da Azul caíam mais de 12% às 14h25 e as ações ON da CVC, 11,42%. As perdas são maiores nas ações ligadas ao consumo e ao turismo, principalmente de empresas aéreas, em meio a temores de que novas medidas restritivas mais hostis sejam necessárias para conter o coronavírus, o que comprometeria a retomada econômica.

O principal índice de ações do país teve perdas acentuadas após a abertura negativa das Bolsas nos Estados Unidos, onde o Dow Jones caía 2,87% e o S&P 500, 2,32% às 13h20. O infectologista Anthony Fauci, o principal conselheiro médico da Casa Branca, disse que é necessário ter mais informação sobre a nova variante para pensar em restrições de viagens. No Brasil, a Anvisa já recomendou restringir voos da África do Sul e de mais cinco países do continente africano.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) fará uma reunião nesta sexta para avaliar a nova cepa, que apresenta elevado número de mutações, o que pode resultar em uma versão mais transmissível e, potencialmente, com mais possibilidades de contornar a resposta imune gerada por infecções anteriores ou pela vacinação. A cepa já foi localizada também em Hong Kong, Israel e Bélgica.

Para os analistas, a descoberta de uma nova variante do coronavírus adiciona mais um elemento de preocupação ao cenário já desafiador para a recuperação da economia global. Nas últimas semanas, o aumento dos casos de Covid na Europa fez com que alguns países retomassem as restrições à circulação de pessoas, um novo baque para a economia em um momento em que já se começava a imaginar uma retomada mais consistente das atividades, com o avanço da vacinação.

Segundo a avaliação do banco Credit Suisse, a preocupação do mercado com a nova variante do coronavírus parece compreensível, dado seu forte potencial de contaminação. De acordo com o banco, as leituras de hospitalização e mortes ainda são pouco conclusivas, mas é preciso lembrar que as taxas de vacinação na África do Sul (origem da variante) são muito baixas e que o país não teve uma forte onda da variante Delta.

A consultoria Capital Economics diz que ainda é cedo para saber ao certo quão grande é a ameaça da nova cepa da Covid-19 à economia global. A consultoria prevê que mesmo as restrições lançadas por outras nações não devem impedir a disseminação do vírus, "particularmente se ele for tão contagioso como atualmente se teme". Isso poderia fazer, por exemplo, que bancos centrais adiem planos de aperto monetário até que a situação esteja mais clara.

Para os países com cobertura vacinal ainda baixa, o principal ponto é se a nova cepa é mais transmissível e tem mais risco de levar a casos graves ou mortes. No mundo em geral, porém, o importante é saber se a nova variante pode ou não contornar em alguma medida a proteção dada pelas vacinas. A Capital Economics lembra que essa é uma questão para os cientistas, não para os economistas, e que podem se passar várias semanas até a resposta surgir.

Por causa da nova cepa, a Comissão Europeia já  informou que pretende propor um veto à entrada de pessoas vindas de países do sul da África, o que provocou forte queda nas ações de companhias aéreas do continente.

O petróleo também tem queda forte, com a cautela sobre a demanda. O barril do petróleo WTI é cotado a US$ 67,84 — abaixo de US$ 70 pela primeira vez em dois meses —, com queda de 13,43%. O do tipo Brent, vendido a  US$ 71,68, recua 11,30%. 

O ouro, considerado um ativo seguro, chegou a subir mais de 1%, impulsionado pela busca por segurança nos mercados globais. No início da tarde, o metal com entrega prevista para dezembro tinha alta de 0,84%, a US$ 1.799,30 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Na Europa, os investidores também estão atentos à piora no quadro de saúde em países da região, em especial na Alemanha. O  índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 3,65%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 4,23% e o parisiense CAC 40 teve perdas de 4,93%.

No Brasil, o dólar começou o dia em forte alta, mas diminuiu o ritmo. A moeda americana chegou a ser cotada a R$ 5,6629, com avanço de 1,76%, na abertura das negociações, mas baixou para R$ 5,5860, com valorização de 0,40%, às 14h18. 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falou sobre a piora da Covid na Europa durante evento virtual com empresas do mercado imobiliário. “Hoje os mercados estão sentindo isso bastante. Mas, localmente, o Brasil está indo bem contra a Covid porque tem baixa rejeição à vacina”, disse.

Bolsas da Ásia fecham em queda

Os mercados acionários da Ásia fecharam no vermelho nesta sexta-feira. Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei teve baixa de 2,53%. Papéis de empresas do setor ferroviário estiveram entre as principais quedas, com Central Japan Railway em baixa de 3,3% e East Japan Railway caindo 2,4%. Entre outras ações em foco, o SoftBank caiu 5,2% após a notícia de que a China teria pedido à Didi, empresa na qual o banco tem participação acionária, que deixe de ser negociada nos Estados Unidos.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em queda de 0,56% e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,20%. Fabricantes de chips lideraram as perdas, estendendo a fraqueza recente após os EUA colocarem várias empresas do país asiático em uma lista sobre preocupações com a segurança nacional e a política externa.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em queda de 2,67%. A nova variante da Covid-19 provocou cautela, com ações de cassinos entre as maiores quedas — Sands China caiu 7,2% e Galaxy Entertainment, 6,8%. No setor aéreo, a Cathay Pacific caiu 4,1% e a Air China, 3,8%. Novamente as incorporadoras ficaram sob pressão, com China Evergrande em baixa de 10% e Fantasia Holdings, de 5,9%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi registrou baixa de 1,47%, na Bolsa de Seul. Além do noticiário vindo da África do Sul, as negociações foram prejudicadas por relatos de que os casos graves de Covid-19 na Coreia do Sul haviam atingido um nível recorde. O setor de transporte aéreo foi o mais prejudicado, com Asiana Airlines em baixa de 4,1% e Korean Air Lines, de 3,4%.

Em Taiwan, o índice Taiex terminou em queda de 1,61%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em baixa de 1,73%, em Sydney. Com isso, o mercado australiano registrou a terceira semana consecutiva de quedas. Bancos e mineradoras se saíram mal, com baixas também no setor de tecnologia. 

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