Economia Bovespa desaba quase 9% e tem primeiro circuit breaker em quase nove anos

Bovespa desaba quase 9% e tem primeiro circuit breaker em quase nove anos

Queda guiada por denúncia contra Temer levou o Ibovespa aos 61.597 pontos

Bovespa desaba quase 9% e tem primeiro circuit breaker em quase nove anos

Giro financeiro da sessão foi de R$ 24,5 bilhões

Giro financeiro da sessão foi de R$ 24,5 bilhões

REUTERS/Paulo Whitaker

O principal índice da bolsa de valores de São Paulo fechou em queda forte nesta quinta-feira (18) e devolveu a maior parte dos ganhos acumulados no ano, com os negócios chegando a ser interrompidos mais cedo após revelações de que o presidente Michel Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O Ibovespa caiu 8,8%, a 61.597 pontos, a maior perda diária desde 22 de outubro de 2008 e no menor patamar para fechamento desde o início de janeiro deste ano. O volume financeiro somou R$ 24,5 bilhões, cerca de três vezes superior à média diária do ano até a véspera, de R$ 8,12 bilhões.

Com as perdas deste pregão, o Ibovespa anulou parte expressiva dos ganhos acumulados no ano até a véspera, que eram de 12,14%, ficando agora com alta de 2,27%. Em 2016, o Ibovespa subiu 38,9%.

O mecanismo de circuit breaker, que não era usado desde 22 de outubro de 2008, foi acionado às 10h21 desta quinta-feira, quando Ibovespa caía 10,47%, a 60.470 pontos, interrompendo os negócios por 30 minutos.

O pânico nos mercados foi disparado após matérias publicadas na noite passada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que informaram que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

A expectativa de operadores é que a bolsa siga com volatilidade intensa nas próximas sessões até que se tenha mais clareza sobre o rumo do governo, após Temer afirmar que não vai renunciar, dizendo que nunca autorizou o pagamento pelo silêncio de alguém.

"Vai depender muito dos desdobramentos, se essa gravação vai aparecer e se vai efetivamente comprometer o Temer e como a base de apoio dele vai se comportar", disse o economista-chefe da corretora Modalmais, Alvaro Bandeira. Ele acrescentou que o apoio popular ao presidente é muito baixo e um rompimento da base pode dificultar a governabilidade.

Diante do cenário, as reformas, principalmente a da Previdência, tem o andamento colocado em xeque e alguns agentes de mercado acreditam que a permanência de Temer no cargo piora as perspectivas para as mudanças.

"Ele (Temer) ficar é ruim porque a credibilidade agora é zero e as reformas não andam. Além disso, pode ter caos social e o 'fora, Temer' pode se perpetuar muito mais forte do que antes", disse o gerente de renda variável da H.Commcor, Ari Santos.

As ações da JBS caíram 9,68% neste pregão, a R$ 8,58, a menor cotação de fechamento desde maio de 2016. Com o movimento, a empresa teve uma perda em valor de mercado de cerca de R$ 2,5 bilhões ante a véspera. O movimento seguiu a tendência recente, uma vez que as ações da empresa vinham sofrendo com operações da Polícia Federal e após a divulgação do balanço do primeiro trimestre. Com as perdas deste pregão, o valor de mercado da empresa encolheu aproximadamente 6 bilhões de reais em apenas três dias.

As ações maiores quedas do Ibovespa neste pregão foram de Eletrobras ON, Cemig PN e Banco do Brasil ON, com baixas de 20,97%, 20,43%, e 19,91%, respectivamente.

Itaú Unibanco PN e Bradesco PN, ações de grande peso no índice, tiveram quedas de 12,05% e 13,11%, respectivamente. Petrobras PN e Petrobras ON perderam 15,76% e 11,37%.

Apenas papéis de empresas que se beneficiam com a alta do dólar fecharam em alta nesta quinta-feira. Fibria ON subiu 11,48%, enquanto Suzano Papel e Celulose PNA ganhou 9,86% e Embraer ON avançou 2,67%.

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