‘Cada um brigando pelo seu interesse’, avalia professor sobre entraves no acordo entre Mercosul e UE
Membros do bloco europeu convocaram uma reunião de emergência para discussões sobre a negociação
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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Uma reunião de emergência para tratar o acordo com o Mercosul foi convocada, nesta quarta-feira (7), a pedido dos ministros da Agricultura dos países-membros da União Europeia. O encontro deve ser acompanhado de perto pelo governo brasileiro, que deseja a assinatura do documento após 20 anos de negociações. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o negócio está adiantado.
A assinatura do acordo estava prevista para dezembro, mas resistências de agricultores da Itália e da França adiaram a formalização do tratado. No entanto, nesta terça-feira (6), o governo italiano deu sinais de que pode mudar de ideia, após a primeira-ministra, Giorgia Meloni, elogiar uma proposta enviada pela Comissão Europeia que prevê aumentar os investimentos na agricultura do país.

Mesmo com um forte interesse do Mercosul, pelo bloco europeu comportar 27 países, diferentes interesses de cada membro fizeram com que os atrasos na assinatura ocorressem, assim explica Laércio Munhoz, professor de geopolítica da Faculdade do Comércio. Seja na busca de mais incentivos econômicos ou em garantias de proteção dos produtores locais, ele pontua que há um conflito de quem pode garantir uma maior vantagem.
“Cada um está brigando por querer um pouco mais porque esse acordo vai dividir o trabalho deles, o ganho deles. Então, você vê, a França, ela está batendo para pegar um pouco mais de benefícios da comunidade europeia, para ela, França. A Itália já fez isso, já foi sinalizado que vai aumentar a parcela a ser disponibilizada para a Itália. Então, essa parte eu vejo como cada um brigando pelo seu interesse”, comenta em entrevista ao Conexão Record News desta quarta-feira (7).
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Do lado brasileiro, Munhoz vê a negociação essencial, principalmente pela falta de bons acordos do tipo na economia, sendo algo que abriria portas para os produtos nacionais, que sofrem com tarifas e problemas logísticos ao entrar no velho continente — o que reflete no preço final. Desta forma, o professor destaca que mais produtos de qualidade poderão ser vendidos aos europeus e com benefícios na expansão da economia brasileira.
No entanto, apesar de expectativas para a assinatura, o funcionamento prático do acordo pode ainda levar anos por conta dos processos de implementação e acerto de condições e exigências dos envolvidos. Desta forma, o professor prevê um período de seis anos para que os resultados surtam efeito, algo apontado por ele como normal nesse tipo de negociação.
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