Economia Carnaval deverá movimentar R$ 8,18 bi no turismo, 26,9% acima de 2022

Carnaval deverá movimentar R$ 8,18 bi no turismo, 26,9% acima de 2022

Setor vive expectativa de novo fôlego neste ano, com o fim das restrições impostas pela Covid-19

Agência Estado - Economia
Rua de comércio mais famosa de São Paulo, a 25 de Março tem grande movimento na procura de produtos para o Carnaval 2023

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Edu Garcia/R7 - 17.2.2023

O Carnaval deverá movimentar R$ 8,18 bilhões neste ano. A estimativa é da CNC (Divisão de Economia e Inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Se confirmada a projeção, a receita de negócios associados ao turismo ficará 26,9% acima da registrada em 2022, em valores já atualizados pela inflação. O setor movimenta estabelecimentos como bares, restaurantes e hotéis.

A forte alta foi puxada pelo fim das restrições impostas pela pandemia. Porém, será insuficiente para recuperar o nível de receitas registrado em 2020, ficando 3,3% abaixo.

Naquele ano, o Carnaval ocorreu dentro da normalidade e movimentou R$ 8,47 bilhões, em valores de janeiro deste ano. 

O Carnaval é considerado o "Natal do turismo brasileiro". As atividades que fazem parte dele foram severamente impactadas desde a decretação de crise sanitária em meados de março de 2020, pela OMS (Organização Mundial da Saúde). 

Para o principal evento do calendário turístico brasileiro, "as medidas restritivas significaram o cancelamento do Carnaval em diversas regiões do país, nos dois últimos anos", diz um trecho do relatório sobre o levantamento da CNC.

Por causa da pandemia, a receita dos negócios associados ao turismo tombou 43% no Carnaval de 2021, na comparação com o de 2020. No ano passado, com a vacinação já avançada, houve uma recuperação. No entanto, os R$ R$ 6,45 bilhões movimentados ainda estavam 24% abaixo dos valores de 2020.

Segundo a CNC, os destaques serão bares e restaurantes, com movimentação esperada de R$ 3,63 bilhões. As empresas de transporte de passageiros deverão envolver R$ 2,35 bilhões, enquanto a receita dos serviços de hospedagem em hotéis e pousadas deverá movimentar R$ 890 milhões.

"Juntos, estes três segmentos responderão por quase 84% de toda a receita gerada durante o maior feriado do calendário nacional", diz o relatório da CNC.

Com a recuperação, o estudo estima que os negócios associados ao turismo possam gerar 24,6 mil empregos temporários no próximo Carnaval.

"Cozinheiros (4.400), auxiliares de cozinha (3.450) e profissionais de limpeza (2.210) devem ser as profissões mais demandadas neste ano", diz o relatório da entidade.

Ainda assim, o número ficará abaixo do registrado no Carnaval de 2020, quando foram gerados 26.100 empregos temporários, e no de 2019, com 24.700 vagas temporárias.

Apesar da superação da Covid-19, na festa deste ano "o principal obstáculo ao restabelecimento das receitas ao nível pré-pandemia deriva das condições econômicas menos favoráveis, tais como significativos reajustes de preço, juros e comprometimento da renda mais elevados", diz a CNC.

Conforme o relatório do estudo, a inflação dos serviços associados ao turismo foi maior do que a média. De acordo com os dados do IPCA, o índice oficial de preços calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022, o preço das passagens aéreas saltou 23,53%.

A hospedagem ficou 18,21% mais cara, enquanto o aumento médio dos pacotes turísticos ficou em 17,16%. No agregado, o IPCA subiu 5,79% no ano passado.

Endividamento

Outra restrição à demanda pelo turismo é a elevação generalizada dos juros, na esteira do aperto monetário levado a cabo pelo Banco Central. O relatório da CNC lembra que, frequentemente, as viagens de lazer são pagas com crédito, em parcelas.

"A taxa média de juros dos empréstimos e financiamentos livremente obtidos por pessoas físicas atingiu 59,0% ao ano — o maior patamar desde agosto de 2017 (62,3% a.a.). Esse fenômeno, aliado ao grau de endividamento historicamente elevado dos consumidores nos últimos meses, certamente se configura como um empecilho à expansão de gastos com lazer", diz o relatório da CNC.

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