Economia CNC: Em 75 anos, comércio e serviços mais do que triplicaram

CNC: Em 75 anos, comércio e serviços mais do que triplicaram

Crescimento da participação do setor de serviços na economia no Brasil reflete uma tendência global

Agência Estado
Comércio perdeu participação ao longo das décadas

Comércio perdeu participação ao longo das décadas

Sebastião Moreira/EFE - 01.09.2020

De 1947 aos dias de hoje, a participação do setor de serviços na composição do PIB (Produto Interno Bruto) passou de 55,7% para em torno de 74%, mostra um estudo da Divisão Econômica da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgado nesta quarta-feira (2) para marcar os 75 anos da entidade.

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Incluído no PIB de serviços, o comércio perdeu participação ao longo das décadas. Em 1947, a atividade comercial respondia por 16,3% do PIB total, enquanto hoje representa 13,7%.

Em nota, a CNC explica que, entre 1945 e 1960, as atividades de comércio e serviços "mais que triplicaram de tamanho, graças à evolução da renda e do consumo no período".

Mais tarde, na década de 1980, "com o descontrole da inflação e as mudanças estruturais no ambiente de negócios, os serviços se descolaram amplamente do comércio, no que diz respeito ao desempenho". Conforme o estudo da CNC, de 1981 a 1989, o setor de serviços cresceu a uma taxa três vezes superior à do comércio (respectivamente, 31,6% e 10,5%).

"Nas décadas seguintes, até 2020, os altos e baixos da economia, aliados à ampliação da participação dos serviços no cotidiano da população - com o desenvolvimento da tecnologia, das comunicações e do turismo, entre outros - consolidaram o aumento da fatia dos serviços no PIB e o recuo do comércio", diz a nota da CNC.

O crescimento da participação do setor de serviços na economia no Brasil reflete uma tendência global, associada desenvolvimento tecnológico sofisticado em serviços financeiros, de saúde e de comunicação, ressalta a CNC.

Já o comércio tradicional fica mais sujeito ao vaivém da atividade econômica e à capacidade de consumo da população. Mais recentemente, o avanço tecnológico misturou as atividades, num movimento, em alguns casos, impulsionado por mudanças de comportamento por causa da pandemia de covid-19.

"As transformações foram aceleradas nas duas últimas décadas, e desde abril, com a pandemia, estamos vivenciando uma mudança radical. O comércio físico vem perdendo lugar para o e-commerce, lojas virtuais e marketplaces, enquanto os serviços agregados à nova economia têm crescido", diz, na nota da CNC, o economista Antonio Everton Chaves, responsável pelo estudo.

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