Economia Com imposto dos EUA, gasolina brasileira custaria um real a menos

Com imposto dos EUA, gasolina brasileira custaria um real a menos

Economia Sem Paletó é nesta segunda, às 15h, na página do R7 no Face

Com imposto dos EUA, gasolina brasileira custaria um real a menos

O petróleo do pré-sal é mais caro para extrair e para refinar

O petróleo do pré-sal é mais caro para extrair e para refinar

Wilton Júnior/2.set.2008/AE

Entre os 15 maiores produtores de petróleo do mundo, o Brasil tem a segunda gasolina mais cara, ficando à frente apenas da Noruega. Nessa lista, o preço do combustível brasileiro fica atrás de países como México, Canadá, Estados Unidos,  

O Brasil é o 10º maior produtor de petróleo do mundo e 10º maior refinador, mas o preço de sua gasolina é semelhante ao de países ricos sem reservas de petróleo, como Japão e Coreia do Sul. Mas por que o combustível é tão caro no Brasil?

A primeira explicação é uma velha conhecida: a carga tributária. A principal diferença do preço final ao consumidor se deve aos impostos que os países aplicam. Assim como o Brasil, a Noruega também está entre os maiores produtores, na 15ª colocação, mas a elevada taxa de impostos coloca a gasolina norueguesa como uma das mais caras do mundo, R$ 5,84, segundo o site GlobalPetrolPrices. Nesse ranking, a gasolina brasileira está cotada em R$ 3,75.

No Brasil, a carga tributária chega a 47% do preço final que o consumidor paga. Nos Estados Unidos, a taxa é de 21,6% na média (cada Estado aplica um imposto próprio). Se o Brasil aplicasse essa carga tributária, em vez de R$ 3,75, a gasolina chegaria ao consumidor final por R$ 2,54 — ou R$ 1,21 mais barato. Os cálculos são do economista Richard Rytenband, comentarista do Jornal da Record News e do live quinzenal do R7 Economia Sem Paletó.

— A gasolina é só mais um exemplo do distorcido sistema tributário brasileiro, que prefere taxar produtos e serviços e coloca o mais pobre para pagar a conta maior.

Nesta segunda-feira, o Economia Sem Paletó vai tratar da indústria de combustíveis no Brasil e explicar a composição do preço e os entraves da indústria nacional. O programa vai ao ar às 15h, ao vivo, na página do R7 no Facebook.

O economista Carlos Stempniewski, professor no curso de Comércio Exterior e Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, também destaca a questão tributária, que “você não encontra em nenhum outro país”. Mas ele também aponta os anos de má gestão política no setor de combustíveis, que não desenvolveu um polo industrial de refinaria capacitado para processar o petróleo produzido no Brasil.  

— Continua exportando petróleo cru e importando o combustível refinado. Isso acontece porque as refinarias brasileiras não foram construídas para refinar o petróleo do Brasil, mas para refinar o petróleo feito lá fora.

Stempniewski diz que a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, foi construída para processar o petróleo venezuelano, que é mais leve e de melhor qualidade, e não o nacional, que é mais pesado e exigiria uma tecnologia mais complexa.

— O Brasil vende matéria prima bruta e importa produto [combustível] com valor agregado.

Sem refinaria adequada ao nosso tipo de petróleo, o país fica sujeito às importações, o que vai embutir mais impostos nessa cadeia de produção que vai até o consumidor final.

O Economia Sem Paletó de segunda-feira vai mostrar também o crescimento das importações de combustíveis e discutir o cenário futuro desse mercado no Brasil.

Cada litro de gasolina no Brasil tem R$ 1,76 de impostos; nos EUA seria R$ 0,55

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Arte R7