Coronavírus: é prudente planejar viagens para o segundo semestre?
Embora não haja projeção precisa de volta à normalidade após pandemia, empresas de turismo já projetam volta de seus serviços nos próximos meses
Economia|Guilherme Padin, do R7

Um dos setores afetados pela crise do novo coronavírus no mundo todo é o turismo. Embora ainda não haja uma projeção precisa de volta à normalidade após a pandemia, empresas do setor já projetam seus serviços para o segundo semestre de 2020.
Entretanto, para infectologistas ouvidos pela reportagem do R7, é necessário que o consumidor tenha cuidado no planejamento de viagens e evite compras de passagens para os próximos meses.
Leia também
Consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Leonardo Weissmann prega cautela na procura por destinos para o segundo semestre.
“Não sabemos com exatidão até quando teremos a circulação do vírus. Aqui no Brasil, segundo estudo, acredita-se que o novo coronavírus possa circular até setembro”, afirma Weissmann, que pondera que setembro é apenas “uma estimativa”.
Quando viajar
A pesquisa à qual Weissmann se refere é da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, e foi citada por Henrique Mandetta, atual ministro da saúde.
Segundo o estudo, os casos da covid-19 terão um pico entre abril e maio, mas devem circular até o nono mês do ano.
Assim como o colega, o infectologista Luis Fernando Waib também crê que deve haver precaução na busca por passagens para este ano. Para ele, é melhor evitar viagens antes de setembro.
Veja também: Turismo manda carta ao governo por temer um milhão de demissões
“Tudo depende do destino da viagem. Se for dentro do Brasil, eu programaria para depois de setembro. No resto do mundo, é preciso ver cada local e a expectativa de sazonalidade”, diz Waib.
Com prejuízos, empresas querem voltar logo
Apesar da possível volta à normalidade apenas em setembro, no mercado do turismo, que sofre com os prejuízos causados pelo coronavírus, já há previsão de retorno às atividades para meses antes.
Um levantamento do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) indica que a imensa maioria (92%) dos empreendimentos hoteleiros projetam reabertura nos próximos três meses – 21% já em abril, 24% em maio e 47% em junho.
Diversas agências, como a Submarino Viagens, por exemplo, também vendem passagens e pacotes nacionais normalmente.
Veja também: Coronavírus provoca queda sensível de movimento em aeroportos
Entre as companhias aéreas, a Azul já possui planos para os próximos meses. À reportagem, a empresa diz que pretende voltar, no segundo semestre, com a sua malha de fevereiro – cerca de 920 voos diários pra 116 destinos. A companhia afirma que, a partir de maio, já colocará mais voos diários. Procuradas, a Gol e a Latam deram previsão sobre possíveis retornos.
As projeções para antes do que os profissionais da saúde indicam devem-se a um prejuízo significativo sofrido pelo setor. Segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), apenas em março, por exemplo, o setor perdeu cerca de R$ 14 bilhões.
Em 19 de março, o governo federal publicou uma MP (Medida Provisória) de socorro às companhias aéreas. As medidas para aliviar o caixa das empresas, durante a crise previstas na MP, incluem prazo estendido para reembolso das passagens e a postergação do pagamento das outorgas dos aeroportos concedidos.
Além disso, uma outra medida provisória, dos ministérios do Turismo e da Justiça, autorizou, por conta da pandemia, que empresas de turismo tenham até 12 meses para pagar o reembolso aos seus clientes. A medida se deu pela situação de prejuízo na qual muitas empresas viviam e ainda se encontram, em razão da expansão do coronavírus. Houve, ainda, a liberação de R$ 381 milhões por parte do Ministério do Turismo para pequenas e médias empresas de todo o país.















