Crescimento econômico do 2º trimestre deve ser 'próximo de zero'

Greve dos caminhoneiros é um dos fatores atribuídos para resultado estável do PIB entre abril e junho. Números serão divulgados amanhã

PIB

PIB brasileiro está no azul desde o 1º trimestre de 2017

PIB brasileiro está no azul desde o 1º trimestre de 2017

Getty Images

O crescimento econômico do segundo trimestre de 2018 será apresentado nesta sexta-feira (31), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e não deve trazer resultados animadores para a economia brasileira.

Por que economistas dizem que o PIB não é boa medida de bem-estar, incluindo seu criador

Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que o PIB (Produto Interno Bruto), indicador divulgado a cada três meses e representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo no período, tende a figurar “próximo de zero” entre os meses de abril e junho. Uma das motivações para o freio do crescimento é relacionada à greve dos caminhoneiros.

Arte/R7

Caso as expectativas sejam confirmadas, o crescimento da economia será interrompido após duas altas consecutivas do PIB na comparação com os trimestres imediatamente anteriores. "Temos que torcer para pelo menos ficar no zero a zero ou que tenha um crescimento estatístico", analisa Silvio Paixão, professor de macroeconomia da Faculdade Fipecafi.

Paixão atribui a interrupção do avanço da economia nacional a três acontecimentos: o ambiente institucional desgastado, as incertezas de futuro e a greve dos caminhoneiros. "Você junta os três fatores e temos um aspecto político significativo impactando de maneira não positiva o ambiente econômico brasileiro", lamenta ele.

Crescimento do PIB dos EUA no 2º trimestre é revisado para cima a 4,2%

A possibilidade de uma queda no PIB do segundo trimestre também não é descartada. De acordo com o economista Eduardo Velho, do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia), a “grande dúvida” sobre o resultado “muito próximo de zero” relacionada ao leve crescimento ou pequena retração econômica no período.

"O número vai mostrar uma certa estabilidade no crescimento da economia, que parou de crescer entre o primeiro e o segundo trimestre e teve um impacto pontual da greve dos caminhoneiros, que refletiu muito no desempenho da indústria", explica Velho, que vê uma possível alteração do resultado ligado ao desempenho da agricultura.

Caso o resultado revelado amanhã seja negativo, o Brasil se juntará ao México, na lista de países que não evoluíram economicamente no segundo trimestre, em comparação com os três meses anteriores.

Arte/R7

2º semestre

Tradicionalmente marcado pelos melhores desempenhos econômicos, a avaliação é de que a recuperação apresentada no início do ano volte a ganhar força, apesar do ambiente político conturbado em torno da corrida eleitoral.

Velho afirma que atualmente a previsão é de que o Brasil feche 2018 com um crescimento econômico entre 1,3% e 1,5%. "Se você comparar com a recessão, será um dado que vai mostrar uma recuperação mais moderada e um sinal de que o Brasil está com um conservadorismo de investimentos", diz.

O economista do Corecon-SP ainda explica que é necessário remover os fatores sazonais para se ter a confirmação do avanço do PIB. “O comércio, por exemplo, sempre cresce 5% em dezembro. Se isso acontecer, vai ser uma trajetória normal. Caso o crescimento seja de 15%, será maior que a tendência histórica”.