Economia 'Crescimento heroico da China acabou', diz vencedor do Nobel de Economia

'Crescimento heroico da China acabou', diz vencedor do Nobel de Economia

Paul Krugman avalia que a segunda maior economia do mundo enfrenta o desafio de mudar o motor do crescimento do investimento para o consumo

Agência Estado - Economia
'A China precisa estimular o consumo', analisa Paul Krugman

'A China precisa estimular o consumo', analisa Paul Krugman

13.03.2014/JULIO CESAR AGUILAR / AFP

O economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman diz acreditar que os dias de crescimento acelerado da economia chinesa ficaram para trás. De acordo com ele, a segunda maior economia do mundo enfrenta agora o desafio de mudar o motor do crescimento do investimento para o consumo, missão que tem se mostrado mais difícil que o esperado pelo governo chinês.

"O crescimento heroico da China acabou. A China é um grande comprador de commodities, então, para países produtores, isso é um problema", disse ele durante participação na Fides 2023, evento internacional do mercado de seguros que acontece no Rio de Janeiro nesta terça-feira (26). "O Brasil é muito mais do que isso, então não vejo como uma preocupação."

Sinais de desaceleração da China foram cobertos por bolha imobiliária

Sinais de desaceleração da China foram cobertos por bolha imobiliária

Aly Song/Reuters/File Photo

De acordo com Krugman, os números mais recentes mostram que o crescimento sustentável da economia chinesa provavelmente está próximo de 3%, taxa muito inferior à vista nas últimas décadas.

Com isso, é impossível sustentar os patamares de investimento que o país observou na história recente. "Sinais de desaceleração da China eram óbvios, mas foram cobertos por uma bolha imobiliária que faz a bolha de 2008 nos EUA parecer trivial", disse ele.

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A saída é estimular o consumo das famílias, que na China são historicamente mais poupadoras. "A China agora precisa estimular o consumo, mas descobriu que é difícil fazer isso", afirmou o Nobel de Economia. Na visão dele, o cenário no restante do mundo é diferente: a desaceleração vista no último ano é transitória.

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