Desemprego atinge 13,1 milhões e chega a maior taxa desde 2012

Pesquisa do IBGE aponta que taxa de desocupação chegou a 13,8% no trimestre encerrado em julho deste ano

Pandemia afetou situação do desemprego no país

Pandemia afetou situação do desemprego no país

Andre Melo Andrade/Immagini/Folhapress - 20.08.2020

O desemprego atingiu 13,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho e a taxa de desocupação chegou a 13,8%, maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em 2012.

Os dados constam da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (30). 

Mutirão de emprego online oferece 5 mil vagas

No trimestre anterior, de fevereiro a abril, a taxa de desocupação era de 12,6%, com 12,8 milhões sem emprego no país. 

No trimestre encerrado em julho de 2019, mesmo período da base do estudo divulgado hoje, 12,6 milhões estavam desempregados e a taxa de desocupação era de 11,8%. 

A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, afirmou que as quedas no período da pandemia de coronavírus foram determinantes para os recordes negativos deste trimestre encerrado em julho.

“Os resultados das últimas cinco divulgações mostram uma retração muito grande na população ocupada. É um acúmulo de perdas que leva a esses patamares negativos”, afirmou. 

A população ocupada recuou para 82 milhões, o menor contingente da série, com recuo de 8,1% (menos 7,2 milhões pessoas) em relação ao trimestre anterior, e 12,3% (menos 11,6 milhões) frente ao período de maio a julho de 2019. 

O número de pessoas que não procuraram emprego, mas que gostariam e estavam disponíveis para trabalhar (desalentados), bateu recorde e atingiu 5,8 milhões.

Queda por setores

Segundo o IBGE, houve queda da população ocupada em oito dos 10 grupos pesquisados em comparação ao mesmo trimestre de 2019. 

A ocupação em alojamento e alimentação caiu 23,2%, com menos 1,1 milhão de pessoas empregadas. Também houve queda na Indústria (-8%), o que representou cerca de 916 mil pessoas a menos.

A construção (queda de 9,5%, ou menos 559 mil pessoas) e o comércio (9,7%, ou menos 1,6 milhão de pessoas) tiveram quedas, mas menores do que as apresentadas em junho (16,6% e 10,9%, respectivamente). 

De acordo com Adriana, a queda menor por indicar retorno dos trabalhadores nos setores que foram beneficiados pelas medidas de flexibilização da quarentena. 

O rendimento médio real dos trabalhadores ficou em R$ 2.535 no trimestre analisado.