Despesas médicas lideram retenções na malha fina do IRPF; saiba como evitar problemas
Regras sobre a declaração do IR de 2026 serão divulgadas nesta segunda-feira; especialistas alertam para erros em gastos de saúde
Economia|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Com a divulgação das regras do IR (Imposto de Renda) 2026 marcada para esta segunda-feira (16), a atenção se volta às despesas médicas, que se consolidaram como a principal causa de retenção de declarações na malha fina no ano passado.
Dados da Receita Federal mostram que 32,6% das declarações retidas apresentam inconsistências relacionadas a gastos com saúde — índice que supera problemas historicamente comuns, como a omissão de rendimentos.
A chamada malha fina é o processo de revisão feito pela Receita quando o sistema identifica divergências na declaração do contribuinte. Na prática, funciona como um filtro automático: ao receber a declaração, o Leão cruza os dados do contribuinte com informações enviadas por empresas, bancos, clínicas e profissionais de saúde. Qualquer inconsistência pode travar o processamento para verificação.
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Segundo especialistas ouvidos pelo R7, três fatores principais explicam por que os gastos médicos passaram a liderar os casos de retenção: a possibilidade de dedução sem limite de valor, o cruzamento cada vez mais sofisticado de dados e o avanço da digitalização das informações fiscais.
“O motivo principal é que as despesas médicas não têm teto de dedução no Imposto de Renda. Isso faz com que muitas pessoas tentem deduzir o máximo possível, o que aumenta tanto os erros honestos quanto as tentativas de fraude”, explica Guilherme Pedrozo da Silva, advogado tributarista.
De acordo com ele, a fiscalização tornou-se mais eficiente nos últimos anos. “A Receita apertou muito o controle com automação total. Hoje os sistemas cruzam tudo em horas, não semanas, e conseguem identificar rapidamente qualquer descompasso entre o que o contribuinte informa e o que médicos e clínicas reportam”, afirma.
Cruzamento de dados
Esse controle ocorre por meio de diferentes bases de dados. Entre elas estão a DMED (Declaração de Serviços Médicos), enviada por clínicas e hospitais; a e-Financeira, com informações bancárias; e o novo sistema Receita Saúde, que registra recibos eletrônicos emitidos por profissionais de saúde (pessoas físicas).
Pedrozo explica que, na prática, o processo é quase instantâneo. “Se o contribuinte declara um pagamento a um médico, a Receita confronta imediatamente com a DMED, com os registros bancários e com os recibos digitais do Receita Saúde. Se o valor não bate ou o profissional não registrou o atendimento, a declaração pode cair na malha para comprovação”, esclarece.
O avanço da digitalização também elevou o nível de rastreabilidade das despesas médicas. Desde janeiro de 2025, profissionais de saúde que atuam como pessoa física passaram a ser obrigados a emitir recibos eletrônicos pelo sistema Receita Saúde, o que conecta automaticamente o CPF do paciente ao do profissional.
Para Marcelo Costa Censoni Filho, advogado tributarista, isso tornou o ambiente fiscal muito mais transparente. “A declaração deste ano será a primeira completamente impactada por esse novo sistema. O recibo eletrônico vincula automaticamente o CPF do paciente ao do profissional na base da Receita, o que torna muito mais difícil inventar despesas ou deixar de declarar receitas”, ressalta.
Segundo ele, a combinação do recibo digital com meios de pagamento rastreáveis, como Pix e cartão, cria um sistema de verificação quase automático.
Malha fina e recibos
Os advogados recomendam atenção redobrada na hora de declarar despesas médicas. Entre os principais cuidados estão exigir recibo eletrônico ou nota fiscal, conferir todos os dados do documento, declarar exatamente o valor pago e guardar comprovantes de pagamento, inclusive transferências via Pix ou cartão.
Também é importante revisar a declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita. Embora ela reduza erros de digitação, a responsabilidade final pelas informações continua sendo do contribuinte.
Outro ponto de atenção envolve os recibos. Mesmo quando a clínica ou o profissional não emitem nota fiscal ou recibo eletrônico, o contribuinte ainda pode declarar a despesa. No entanto, o risco de cair na malha fina aumenta.
Isso ocorre porque o sistema da Receita espera receber a informação das duas partes: do contribuinte que declarou o pagamento e do profissional que registrou o atendimento. Quando essa segunda informação não aparece, o sistema identifica uma divergência.
“Nesse caso, o contribuinte pode ser chamado para comprovar o pagamento. Por isso, é essencial guardar recibos, comprovantes de Pix, transferências ou qualquer documento que demonstre que o gasto realmente ocorreu”, orienta Censoni.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Letícia de Souza, editora de texto.
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