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Economia Dinheiro extra: como lidar com o 13° do INSS e o saque do FGTS

Dinheiro extra: como lidar com o 13° do INSS e o saque do FGTS

Endividados devem usar a quantia para escapar dos juros altos; já a melhor opção para quem não tem contas é investir 

  • Economia | Camila Nascimento, do R7*

Especialistas afirmam que planejamento evita gastos supérfluos

Especialistas afirmam que planejamento evita gastos supérfluos

Marcello Casal jr/Agência Brasil

Boa parte dos brasileiros terá pelo menos duas possiblidades de conseguir um dinheiro extra nos próximos meses. São elas: o saque de até R$ 1.000 do FGTS e a antecipação do 13º salário do INSS. Mas, segundo especialistas, as pessoas devem procurar gastar essa quantia adicional com responsabilidade e da melhor forma possível.

“É importante fazer esse planejamento quanto ao destino do dinheiro, pois caso não seja feito, é muito provável que ele acabe destinado a gastos supérfluos em vez de contribuir para atingir os objetivos realmente desejados”, alerta Samuel Torres, consultor financeiro da Onze.

O pagamento do 13º salário do INSS começa antecipadamente. Quem ganha benefício de até um salário mínimo vai receber a primeira parcela a partir desta segunda-feira (25). O depósito para aqueles com benefícios maiores começa no dia 2 de maio.

Já o FGTS está disponível para consulta do valor pelo aplicativo ou agências da Caixa Econômica Federal. O dinheiro será disponibilizado, de acordo com o mês de aniversário do trabalhador, entre os dias 20 de abril e 15 de junho. A previsão do governo é liberar até R$ 30 bilhões na economia e beneficiar 42 milhões de pessoas.

Para quem está em dúvida se sacar o dinheiro é um bom negócio, é importante saber que parado no fundo ele rende apenas 3% ao ano, bem menos do que outras aplicações. Além disso, a quantia pode ajudar trabalhadores a pagar dívidas e a escapar dos juros altos.

Pagar dívidas

Os endividados devem tentar quitar todas as suas contas, principalmente as atrasadas. Conforme aconselha Torres, “o foco deve ser quitar as dívidas, priorizando aquelas com maior taxa de juros, como cartão de crédito e cheque especial”. Segundo os últimos dados do Banco Central, o cheque especial tem uma taxa de juros de 128,4% ao ano, o cartão de crédito, de 346,3% ao ano.

O economista Alessandro Azzoni destaca que o dinheiro deve ser usado também para ajudar nas contas mais prioritárias e para complementar a renda da família, caso seja necessário. Principalmente em um momento de inflação em que pode ser mais difícil se manter dentro do orçamento do mês. "É importante saber qual é a dívida que oferece maior risco, ou seja, aquelas ligadas a necessidades básicas e que não podem ficar atrasadas, como luz, água, condomínio e aluguel", afirma. 

Investir e fazer uma reserva

Quem não tem dívidas deve pensar em investimentos. “O ideal é investir esse dinheiro de acordo com os seus objetivos. Por exemplo, no caso de quem está montando sua reserva de emergência, deve-se aplicar o dinheiro em investimentos de renda fixa de baixo risco e com liquidez diária”, indica o consultor financeiro da Onze.

"A taxa de juros de hoje torna bastante propício investir nesse momento, além disso, ela pode subir ainda mais para controlar a inflação”, complementa Azzoni. No caso do FGTS, a quantia de R$ 1.000, rendendo 3% ao ano, resultaria em apenas R$ 30. Uma alternativa é o Tesouro Selic, que rende 11,75% ao ano. Assim, a quantia em 12 meses será de R$ 1.117,50. 

Fazer investimentos mais arriscados

As pessoas que não estão endividadas e que já têm uma reserva de emergência podem apostar em investimentos com maior risco. Segundo o economista Samuel Torres, há opção de “abrir mão de liquidez para, potencialmente, obter maiores retornos, investindo, por exemplo, em títulos de renda fixa com data de vencimento mais longa, fundos imobiliários e ações”.

Como não gastar o dinheiro extra

Usar essa quantia extra para sair imediatamente às compras não é uma boa decisão. Azzoni alerta que o aumento dos preços vem diminuindo o poder de compra do brasileito, o que pode acabar complicando as finanças no futuro.

"Não é indicado gastar com bens de consumo sem necessidade, não é indicado sacar o dinheiro e sair comprando, ainda mais em meio ao nosso cenário inflacionário. Planeje um consumo consciente e gastos comedidos", afirma o economista.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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