Economia Dívida do Brasil 'é muito alta' para um país emergente, diz Mansueto

Dívida do Brasil 'é muito alta' para um país emergente, diz Mansueto

Ex-secretário do Tesouro Nacional avalia que Brasil tem cerca de três anos para "provar à comunidade internacional" que vai "caminhar na direção certa"

  • Economia | Do R7, com Agência Estado

"Brasil precisa provar que vai caminhar na direção correta"

"Brasil precisa provar que vai caminhar na direção correta"

Divulgação/TCU - 31/10/2017

O ex-secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida, afirmou nesta sexta-feira (11) que a atual dívida pública brasileira, em torno de 95% do PIB (Produto Interno Bruto) "é muito alto para um país emergente". "Se o Brasil fosse um país rico, como Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos ou Reino Unido, uma dívida de 95% do PIB não seria problema, porque esses países se financiam por 10 anos com juros negativos", disse ele.

"Apesar de a gente terminar o ano com a dívida em 95% do PIB, o que a gente vai pagar de juros é menor do que quando a dívida era 60% do PIB. A gente ganhou uma janela de oportunidade", pontuou ele durante participação no 19º Fórum Empresarial Lide.

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Para Mansueto, o Brasil tem cerca de três anos para "provar para a comunidade internacional" que vai "caminhar na direção correta" com a aprovação de reformas estruturais.

"Se não conseguirmos avançar nessa agenda, vamos começar a ter um problema, porque, se em algum momento, os juros do curto prazo subir, o impacto sobre a dívida é imediato, o que pode causar uma grande crise", destacou.

Reformas

Ao comentar o adiamento das reformas tributária e administrativa, o ex-secretário traçou um paralelo com a reforma da Previdência, que dominou os debates por um período de três anos entre os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, até ser aprovada. Segundo ele, o debate da tributária e da administrativa este ano "não foi tempo perdido". "Temos que respeitar o tempo político", afirmou.

O senador Antonio Anastasia (PSD-MG) disse acreditar que a avaliação de desempenho de servidores públicos deve ser a chave para uma reforma administrativa eficiente, a qual ele acredita que será votada pelo parlamento em 2021.

"Temos de focar na melhoria do serviço público. Precisamos fazer uma reforma ganha-ganha. Servidores têm de ser valorizados e reconhecidos e a chave para isso não é a estabilidade é a avaliação de desempenho", disse durante participação no 19º Fórum Empresarial Lide. "Aí está o grande pulo dessa reforma", afirmou.

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Para o parlamentar, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) enviada pelo governo ao Congresso tem erros técnicos, mas há perspectiva de aprovação de reformas no atual Congresso, incluindo a tributária. "Não podemos perder a oportunidade que é o perfil reformista do atual Congresso", afirmou. "A burocracia é necessária, mas tem a boa e a ruim, precisamos extirpar a má burocracia", disse.

Anastasia falou ainda sobre a necessidade de se criar um ambiente favorável com segurança jurídica. "Hoje o próprio gestor público tem medo de dar uma assinatura, é uma assinatura hoje e um processo amanhã", disse.

União para gerar empregos

Luiza liderou o movimento "Não demita" na pandemia

Luiza liderou o movimento "Não demita" na pandemia

Edu Garcia/R7

Mais cedo, a presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, Luiza Trajano, disse que os empresários têm de se unir e não dar diagnósticos. "Sabemos os problemas que o Brasil tem. Convoco vocês a acreditar no Brasil e parar com diagnósticos. Temos de gerar emprego e deixar o governo trabalhar", afirmou no evento.

Ela disse que as reformas não virão tão rapidamente, mas que os empresários têm de investir e gerar empregos para alavancar a economia. "Vamos investir, dinheiro a juros não está dando nada" completou.

Luiz afirmou ainda que começa hoje um novo movimento entre os empresários do País. "Movimento que vamos começar hoje é vacinação urgente para todos", disse. Ela liderou durante a pandemia o movimento "Não demita" que uniu grandes empresas de diversos setores no sentido de preservar empregos.

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