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Do Japão ao Brasil, eleitores podem abalar mercados em ano decisivo para a política

Votações em grandes economias elevam incertezas financeiras em meio a tensões geopolíticas e à influência da política norte-americana

Economia|Da Reuters

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Disputas eleitorais em grandes economias, como Japão e Colômbia, ampliam a instabilidade financeira global.
  • A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi busca apoio para suas políticas em um cenário de popularidade em queda.
  • No Brasil, Lula lidera as pesquisas eleitorais, mas sua vitória pode impactar negativamente os preços e a economia.
  • Nos EUA, as eleições de meio de mandato serão um teste crucial para Trump e suas políticas econômicas em um ambiente de crescente insatisfação.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pessoa caminha perto de pôsteres relativos à campanha eleitoral antecipada no Japão via REUTERS

Do Japão ao Brasil, disputas eleitorais tendem a ampliar a instabilidade em um ano marcado por oscilações provocadas pela política dos Estados Unidos e pelo avanço das tensões geopolíticas.

A eleição japonesa no próximo fim de semana figura entre as mais imprevisíveis dos últimos anos, enquanto consultas populares na América Latina colocam à prova a guinada à direita observada na região.


A seguir, algumas das votações consideradas mais relevantes para os mercados globais.

Japão

As eleições antecipadas marcadas para 8 de fevereiro podem ampliar a flexibilização fiscal na economia mais endividada do mundo desenvolvido, em proporção ao PIB.


A primeira-ministra Sanae Takaichi busca transformar sua popularidade pessoal em respaldo a políticas de estímulo e fortalecer o governo de coalizão no Parlamento. Pesquisas recentes indicam leve queda em sua aprovação.

Investidores projetam pressão contínua sobre os títulos japoneses. Analistas estimam rendimento de até 3% nos papéis de 10 anos ainda neste ano, ante patamar pouco acima de 2%.


Colômbia

Eleitores colombianos devem ir às urnas até três vezes a partir de março, para escolher novos parlamentares e o próximo presidente, em substituição a Gustavo Petro, político de esquerda envolvido em embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As ações locais superaram pares regionais no ano passado. Já no mercado de títulos, cresce a expectativa de avanço da guinada à direita na América Latina, com possível retomada de políticas econômicas mais ortodoxas.


“Se houver uma mudança para a direita... há potencial para algum ajuste fiscal”, disse o gestor de portfólio da Ninety One, Nicolas Jaquier.

Segundo Jaquier, uma vitória de Ivan Cepeda, aliado de Petro, abriria espaço para mudanças estruturais no banco central e na Suprema Corte, removendo entraves a parte da agenda do atual governo.

Hungria

A votação de abril representa a principal chance da oposição em anos para encerrar os 16 anos de poder do primeiro-ministro Viktor Orbán.

O partido de centro-direita Tisza aparece à frente do Fidesz, legenda de Orbán, embora o resultado permaneça indefinido. O custo de vida domina o debate, enquanto o governo adota incentivos fiscais para conter o desgaste político.

No ano passado, a Fitch Ratings rebaixou a perspectiva de crédito da Hungria para negativa, citando projeções fiscais deterioradas após medidas adotadas antes da eleição.

O Tisza promete recompor laços com a União Europeia e destravar recursos. Luis E. Costa, do Citi, calcula potencial de até 10 bilhões de euros (US$ 11,9 bilhões), movimento capaz de ampliar investimentos, reduzir déficits e diminuir prêmios de risco.

Reino Unido

Eleições locais raramente atraem atenção de investidores estrangeiros, mas a votação de maio desperta interesse. O Partido Trabalhista, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, aparece atrás do populista Reform UK e enfrenta dificuldades para cumprir promessas de crescimento econômico.

Mercados reagem a sinais de possível troca de liderança, sobretudo diante da política fiscal restritiva, como demonstrado na recente venda de títulos públicos.

Sam Cartwright, economista do Société Générale, avalia que um eventual sucessor de Starmer não teria margem para ampliar de forma significativa o endividamento público. A próxima eleição parlamentar ocorre até agosto de 2029.

Etiópia e Zâmbia

Etiópia e Zâmbia, ainda em recuperação após episódios de inadimplência, realizam eleições durante o verão no Hemisfério Norte.

Na Etiópia, o Partido da Prosperidade, do primeiro-ministro Abiy Ahmed, deve vencer a votação de junho, diante do boicote anunciado por grupos de oposição.

Na Zâmbia, a expectativa aponta para a reeleição do presidente Hakainde Hichilema em agosto. Analistas da Chatham House alertam, porém, para a lentidão na melhora das condições de vida, apesar dos avanços na renegociação da dívida.

Investidores acompanham ambos os países em busca de oportunidades em mercados de fronteira. A economia zambiana apresenta resiliência acima do esperado, enquanto títulos etíopes seguem negociados acima do valor nominal, mesmo com inadimplência em curso.

Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera pesquisas para a eleição de outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Aos 80 anos, Lula obteve uma trégua nas relações com Donald Trump, apesar de divergências sobre tarifas, Venezuela e a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe.

“Uma vitória de Lula... poderia ser bastante negativa para os preços”, escreveu Geronimo Mansutti, da Tellimer, ao citar preocupações com déficits elevados e trajetória de endividamento crescente.

Um quarto mandato também tende a ampliar choques políticos com Trump. Ainda assim, Jaquier, da Ninety One, destacou o valor de Lula como uma “figura conhecida”, com perfil pragmático e inclinação a formar equipe econômica confiável para ajustes fiscais.

Estados Unidos

As eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, definirão o controle do Congresso e servirão como teste político para Trump.

O custo de vida domina o debate. A Casa Branca acelerou propostas para aliviar pressões, incluindo limite nas taxas de juros do cartão de crédito.

Pesquisas indicam insatisfação ampla com a condução da economia. Historicamente, o partido do presidente perde espaço nesse tipo de eleição, e Trump reconheceu dificuldades para manter a maioria republicana.

“É claro que o presidente gostaria de ver o crescimento econômico em alta e os mercados financeiros em recuperação, e isso terá um papel importante em sua narrativa e políticas nos próximos meses”, disse Guy Miller, estrategista-chefe de mercados da Zurich Insurance. “As políticas dessa eleição terão impacto sobre todos nós.”

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