Economia Dólar abre a semana em queda e vai abaixo de R$ 4,65

Dólar abre a semana em queda e vai abaixo de R$ 4,65

Recuo de 0,7% da moeda norte-americana ocorre com manutenção de fluxos de investidores estrangeiros; greve do BC fica no radar

Reuters
Dólar acumula queda superior a 15% em 2022

Dólar acumula queda superior a 15% em 2022

Jose Luis Gonzalez/Reuters - 12.2.2018

O dólar abandonou a estabilidade vista nos primeiros negócios desta segunda-feira (4) e era negociado abaixo dos R$ 4,65, com participantes do mercado continuando a enxergar oportunidades de investimento no Brasil diante da alta das matérias-primas e do patamar elevado dos juros, embora houvesse alguma cautela em relação à greve dos servidores do BC (Banco Central).

Às 10:02 (de Brasília), a moeda norte-americana à vista recuava 0,68%, a R$ 4,6352 na venda, rondando as mínimas do dia. Mais cedo, no pico da sessão, a moeda chegou a tocar R$ 4,676 (+0,2%). Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,51%, a R$ 4,6675.

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Com esse desempenho, a moeda norte-americana spot aprofundava suas perdas no ano para 16,75%, depois de na sexta-feira passada ter marcado sua 11ª queda semanal entre as 13 semanas de negociação completas de 2022. O dólar vem rompendo patamares técnicos de maneira sucessiva.

No final de março, a divisa já havia registrado seu pior trimestre contra o real — líder global de desempenho no ano — desde 2009, com queda de 14,55%.

"Como o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities do mundo, a redução da oferta destes bens no mercado internacional (devido à guerra na Ucrânia) aumenta seus preços e gera uma melhora nos termos de troca da economia brasileira, aumenta o superávit em conta-corrente e atrai capitais internacionais para o país", disseram em nota analistas da Genial Investimentos.

"O resultado é um aumento do fluxo de dólares e valorização cambial. Como nossa avaliação é que este processo dificilmente será revertido no curto prazo, a trajetória de valorização do real deverá persistir ainda durante algum tempo."

Os contratos futuros de produtos como petróleo e commodities agrícolas subiam nesta segunda-feira, estendendo a disparada vista desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro.

A perspectiva de novas sanções contra o Kremlin em retaliação ao conflito elevava os temores de restrições adicionais de oferta, o que ajudava outras moedas de países exportadores de commodities no dia, como rand sul-africano, peso mexicano e peso chileno.

Além do impulso das commodities, a Genial apontou o amplo diferencial de juros entre Brasil e economias avançadas como fator de impulso para o real. Com a Selic em 11,75% ao ano e os custos dos empréstimos em patamares próximos de zero — ou até em território negativo — em nações ricas, o mercado local tende a atrair recursos de agentes que buscam rendimento na renda fixa.

Investidores ficarão atentos agora aos próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que tem sinalizado que encerrará seu agressivo ciclo de aumento dos juros em maio, deixando a Selic em 12,75%. Parte dos mercados, no entanto, projeta taxa terminal mais alta — com algumas apostas na casa de 14% — diante das crescentes pressões inflacionárias.

Na sexta-feira, o IBGE divulgará a leitura de março da inflação, o que, segundo o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, será o destaque da agenda doméstica.

Apesar da desvalorização do dólar nesta manhã, alguns participantes do mercado demonstravam cautela diante da greve de servidores do BC, deflagrada na sexta-feira. Devido à paralisação, a autarquia informou que não divulgará nesta segunda o relatório Focus, e a semana também não terá o Relatório de Poupança e os números do fluxo cambial, entre outros dados.

A moeda dos EUA fechou a última sessão em queda de 2,02%, a R$B 4,6668 na venda, maior desvalorização diária desde 30 de dezembro de 2021 (-2,12%) e menor cotação de fechamento desde 10 de março de 2020 (R$ 4,6457).

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