Dólar cai a R$ 5,74, mas fecha a semana e o mês em alta
Queda de 0,44% da moeda norte-americana na última sessão ocorreu após intervenção do Banco Central no mercado de câmbio
Economia|Do R7

O dólar fechou em queda contra o real nesta sexta-feira (30), cedendo terreno depois de ter superado os R$ 5,80 mais cedo, o que levou o Banco Central a anunciar seu segundo leilão de moeda à vista em apenas três dias.
Na sessão, a moeda norte-americana recuou 0,44% no dia, para R$ 5,7383, enquanto o dólar futuro negociado na B3 caía 0,13%, a R$ 5,772. Na máxima do dia, a divisa norte-americana spot disparou a R$ 5,809, seu maior patamar desde 15 de maio.
O dólar acumulou na semana — que também foi marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária de manter a porta aberta para possíveis cortes de juros no futuro — alta de 1,956%. Em outubro, a moeda norte-americana teve ganho de 2,13%, marcando seu terceiro mês consecutivo de avanço.
Apesar do alívio deste pregão, a moeda norte-americana fechou a semana em alta, marcando também seu terceiro mês consecutivo de valorização em outubro.
Na quarta-feira, a autarquia também realizou um leilão extraordinário, em que vendeu mais de US$ 1 bilhão em moeda à vista. "A intervenção do Banco Central é uma correção de disfuncionalidades, e correta nesta situação", opinou Alejandro Ortiz, economista da Guide.
Ele ressaltou a disseminação da covid-19 e o nervosismo antes das acirradas eleições norte-americanas como fatores que explicam o salto do dólar a um patamar tão elevado mais cedo.
A proximidade da data da disputa eleitoral entre o atual presidente, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, tem deixado os investidores nervosos, uma vez que o resultado segue nebuloso e há risco de contestação. Além disso, o evento atrasou as negociações de novos estímulos fiscais na maior economia do mundo, que provavelmente só serão implementados depois que os norte-americanos forem às urnas.
Enquanto isso, a segunda onda de infecções por coronavírus, com consequente reimposição de lockdowns, levanta dúvidas sobre o ritmo da recuperação econômica mundial. Esta semana foi marcada pelo aumento global de casos em mais de 500 mil pela primeira vez, com França e Alemanha, duas gigantes europeias, se preparando para novas paralisações.
No Brasil, as preocupações em relação à saúde fiscal continuavam sob os holofotes, com investidores atentos a pistas sobre como o governo financiaria mais auxílio econômico sem furar o teto de gastos.
"A única coisa que vai conseguir promover algum tipo de alívio para o mercado de câmbio é um sinal concreto em relação à manutenção das contas públicas", opinou Ortiz, alertando que "o espaço remanescente para erros (fiscais) por parte do Congresso e do governo está muito pequeno".
Colaborando para a volatilidade nos mercados de câmbio, esta sexta-feira marcou o dia da formação da Ptax de fim de mês, bem como as vésperas de um fim de semana prolongado pelo feriado do Dia de Finados na segunda-feira. As negociações no mercado local retornam justamente no dia da eleição presidencial nos Estados Unidos.













