Economia Dólar dispara no exterior, a R$ 5,18, e Ibovespa fecha em alta com impulso de Petrobras

Dólar dispara no exterior, a R$ 5,18, e Ibovespa fecha em alta com impulso de Petrobras

Moeda dos EUA fecha em alta de 0,39%, mas fica abaixo do maior patamar do dia, R$ 5,24 (+1,49%); preço do petróleo estimula bolsa 

Reuters
Dólar teve alta nesta quarta (5) e fechou dia cotado a R$ 5,184

Dólar teve alta nesta quarta (5) e fechou dia cotado a R$ 5,184

KEVIN DAVID/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-05/08/2022

Temores de um aperto monetário agressivo nas principais economias globais fizeram o dólar disparar no exterior e subir frente ao real nesta quarta-feira (5), chegando a R$ 5,245 no maior patamar do dia (+1,49%). Os ganhos foram limitados pelo salto do Ibovespa, com impulso da Petrobras, após corte de produção pela Opep+ e avanço nos preços do petróleo. 

Apesar do bom desempenho, a moeda norte-americana encerrou o pregão distante dos picos intradiários, a R$ 5,184, alta de 0,39% no valor à vista. Na mínima da sessão, atingida à tarde, o dólar chegou a cair 0,15%, a R$ 5,1602. Na segunda-feira (3), foi registrada a maior queda diária desde 2018, de 5,6%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,83%, a 117.197,82 pontos. O volume financeiro somou R$ 28,4 bilhões. Na B3, às 17h09 no horário de Brasília, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,12%, a R$ 5,2135.

Alguns investidores atribuíram o arrefecimento do dólar e a alta das ações ao anúncio de um corte profundo na produção de petróleo pela Opep+, de 2 milhões de barris por dia. Com isso, a oferta em um mercado apertado ficará ainda mais restrita, apesar da pressão dos Estados Unidos e de outros países por mais produção.

"Essa notícia fez com que o preço do petróleo subisse de maneira mais forte, e, consequentemente, os ativos atrelados ao petróleo subiram; no nosso caso, a Petrobras", explicou Marco Noernberg, responsável pela área de renda variável da Manchester Investimentos, sobre o enfraquecimento da moeda norte-americana frente aos picos do pregão.

"Com a Petrobras subindo, nosso mercado ganha um pouco mais de fôlego. Isso leva nosso índice para cima, e o dólar tende a ficar mais fraco, é uma relação muito comum", completa.

Para ele, a decisão da Opep+ pode favorecer empresas do setor de serviços, que responde por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA. "Mas, talvez seja um crescimento que não afete a perspectiva de inflação de forma considerável", avaliou Noernberg.

O Ibovespa, indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), fechou o dia em alta acentuada, na contramão da queda em Wall Street, com a Petrobras ficando entre os destaques positivos do pregão. Os preços do petróleo subiram quase 2% nesta sessão.

No entanto, o ambiente global mais amplo ainda se mostrava difícil para ativos considerados arriscados. O dólar fechou em terreno positivo depois que dados mostraram resiliência na criação de empregos no setor privado dos EUA, o que pode ajudar a justificar a manutenção de postura agressiva da política monetária do Fed (Federal Reserve), o banco central norte-americano.

"A aversão a risco global e o aperto monetário em curso nos EUA podem gerar volatilidade e alimentar uma desvalorização do real" à frente, avaliou a Santander Asset. em carta mensal divulgada nesta quarta-feira.

A instituição destacou, entretanto, o diferencial de juros elevado entre o Brasil e outras economias como um fator positivo para a moeda nacional, e projetou o dólar em R$ 5,10, tanto no fim deste ano quanto no de 2023.

A justificativa é o Banco Central ter se adiantado no aperto monetário em relação a seus pares de outras economias. Com a taxa Selic atualmente em 13,75%, os juros elevados tornam os retornos do real interessantes para investidores estrangeiros.

Economistas do Goldman Sachs, em relatório enviado a clientes, disseram que a direção do mercado refletirá, provavelmente, sinais relacionados ao segundo turno das eleições no país, se Lula deslocar sua campanha e plataforma política mais para o centro.

O mercado, acrescentaram, também busca sinais, em particular do petista, sobre os nomes que devem ocupar cargos relevantes, como o de ministro da Fazenda, além de um contorno mais preciso para propostas como a reforma tributária e a âncora fiscal para substituir o teto dos gastos.

Nem a campanha de Lula nem a equipe de Bolsonaro divulgaram formalmente a proposta fiscal que será levada adiante em caso de vitória nas urnas, apenas linhas gerais dos planos.

Noernberg avalia que os próximos pregões devem ser marcados por volatilidade, embora os resultados das eleições estaduais e das vagas no Congresso Nacional mostrando vitória de partidos de centro-direita tenham animado o mercado.

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