Economia Dólar fecha a R$ 5,42, maior valor em cinco meses, e Ibovespa cai 3%

Dólar fecha a R$ 5,42, maior valor em cinco meses, e Ibovespa cai 3%

Riscos da economia global e temor de medidas populistas fizeram a moeda subir 0,89% e Ibovespa registrar 110.123,85 pontos

Reuters
Ibovespa registra queda nesta terça-feira (28)

Ibovespa registra queda nesta terça-feira (28)

Amanda Perobelli/Reuters

O dólar fechou no maior patamar em quase cinco meses nesta terça-feira (28), ficando acima de R$ 5,40, após registrar a maior alta diária em quase três semanas, com uma onda de compras da moeda norte-americana lastreada num ambiente externo conturbado e em persistente cautela doméstica.

Com queda de 3,05%, o Ibovespa fechou o dia em 110.123,85 pontos, reaproximando-se das mínimas em 2021, abalado sobretudo por ações de empresas ligadas a consumo, justamente as que chegaram a liderar os ganhos dos índices nos últimos meses.

Lá fora, temores de que a inflação mais alta antecipe um movimento de aperto monetário nos Estados Unidos turbinaram o dólar a uma máxima em mais de dez meses, ao mesmo tempo em que nocautearam moedas emergentes e os mercados globais de ações.

Aqui, novos comentários sobre a política de preços da Petrobras e incertezas sobre a ortodoxia fiscal do governo nos esforços para pôr em prática um Bolsa Família vitaminado mantiveram a confiança em xeque. Dados fiscais melhores do que os esperados para agosto até ajudaram a amenizar os ganhos do dólar, mas sem mudar a rota da moeda norte-americana.

O dólar à vista fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,427, valor mais alto desde 4 de maio (R$ 5,4322) e o mais intenso ganho percentual desde 8 de setembro (+2,84%). A cotação mostrou sinal positivo por toda a sessão, variando de R$ 5,3868 (0,15%) a R$ 5,4522 (1,36%).

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de rivais subia 0,33% no fim da tarde, para máximas desde novembro de 2020.

O principal índice brasileiro de ações teve forte queda nesta terça-feira, acompanhando um pessimismo generalizado nas bolsas no mundo todo com a multiplicação dos riscos à recuperação da economia global, enquanto no Brasil cresce o temor de que esse quadro seja combatido com medidas populistas.

O giro financeiro da sessão, de R$ 36,25 bilhões, acima da média dos últimos dias, deixou claro que o investidor está mais confiante para vender ações.

Uma disparada do preço do gás natural na Europa, com o consumo subindo num momento de oferta restrita e de estoques em níveis críticos, agravou o receio de que os custos aumentados de energia serão um desafio crescente para a economia global que ainda começa a se levantar dos efeitos da Covid-19.

Segundo o presidente da casa de análise de investimento Ohmresearch, Roberto Attuch, esse evento se somou a um quadro já tenso, incluindo restrições impostas pelo governo chinês ao consumo de carvão e à indústria siderúrgica, além de questões ligadas ao Orçamento do governo dos Estados Unidos, que também se aproxima de um ciclo de aperto monetário.

"Esse quadro todo está atrapalhando bastante", disse Attuch, adicionando que o ambiente de menor apetite por risco dá relevo a problemas no Brasil, que também tem um horizonte de crescimento menor e inflação elevada.

Esse cenário teve nova rodada de piora, com a Petrobras anunciando alta do preço do diesel nas refinarias em quase 9%, elevando o reajuste neste ano a mais de 50%.

"Isso tudo faz crescer no mercado a leitura de que o governo está cada vez mais tentado a buscar iniciativas populistas para pode chegar competitivo à eleição de 2022", disse ele.

Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é um país rico e pode atender "os mais necessitados por mais tempo", indicando possível extensão do auxílio emergencial pago desde o surgimento da pandemia de Covid-19.

A declaração vem no momento em que o governo costura uma polêmica proposta de adiar parte do pagamento de precatórios para poder deslanchar seu programa social Auxílio Brasil.

Destaques

- BANCO INTER perdeu 11,8%, o pior desempenho do índice. O banco desmentiu matéria veiculada mais cedo pelo Broadcast de que estaria preparando uma provisão maior para perdas no balanço. BANCO PAN caiu 4,39.

- AMERICANAS recuou 6,2%, enquanto MAGAZINE LUIZA teve retração de 5,5% e MÉLIUZ cedeu 8,65%, com gestores desmontando apostas em empresas de consumo.

- CSN teve baixa de 7,84%, seguida por USIMINAS, com desvalorização de 7,3%, enquanto VALE foi depreciada em 5%, pondo fim a uma recuperação desde a semana passada na esteira da recuperação dos preços do minério.

- BRASKEM reverteu e caiu 3%, mesmo após a petroquímica ter anunciado acordo de sua subsidiária Braskem Idesa com a mexicana Pemex para quitar pendências contratuais e para a construção de um terminal de importação de etano. [L1N2QU0UU]

- PETROBRAS também não sustentou ganhos e declinou 0,7%, seguindo a correção para baixo dos preços do barril do petróleo.

- BRF resistiu à avalanche de vendas de ações e subiu 1%, assim como MARFRIG com ganho de 0,25%, ainda na esteira da decisão da semana passada do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que aprovou sem restrições a compra de ações da BRF pela Marfrig.

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