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Dólar fecha em alta e vai a R$ 5,35 com exterior e tensão fiscal por MP alternativa ao IOF

Moeda brasileira teve o pior desempenho entre as divisas latino-americanas

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O dólar fechou a R$ 5,35, alta influenciada pela valorização da moeda americana e temores fiscais relacionados à nova MP sobre o IOF.
  • O real teve desempenho negativo entre as moedas latino-americanas, afetado por correções após ganhos anteriores e instabilidades políticas globais.
  • A MP em discussão no Congresso apresentou previsão de arrecadação de R$ 17 bilhões, R$ 3 bilhões a menos do que o esperado anteriormente.
  • Economistas destacam que a manutenção da taxa de câmbio em R$ 5,30 é insustentável devido à fragilidade fiscal e possíveis expansões de gastos em ano eleitoral.

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Desempenho do real e tensões fiscais preocupam investidores Reprodução/ Record News - 26.09.2025

O dólar acelerou o ritmo de alta ao longo da tarde desta terça-feira (7), no mercado local e atingiu os R$ 5,35, em meio ao fortalecimento da moeda americana no exterior e a temores crescentes de menor potencial de arrecadação com as mudanças na Medida Provisória (MP) alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Com máxima de R$ 5,3532, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,74%, a R$ 5,3501 - maior valor de fechamento em mais de dez dias. A divisa acumula ganhos de 0,51% nos cinco primeiros pregões de outubro, após desvalorização de 1,83% em agosto. No ano, as perdas são de 13,43%.


O real apresentou o pior desempenho entre as divisas latino-americanas e a segunda maior perda no universo das moedas emergentes mais relevantes, com recuo inferior apenas ao do florim húngaro.

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Parte do tropeço do real nesta terça pode ser fruto de uma correção dos ganhos da segunda-feira, quando a moeda brasileira foi um dos destaques entre emergentes, na esteira da conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Donald Trump (EUA).


Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o Índice DXY (Dollar Index) operava ao redor dos 98,630 pontos no fim da tarde, em alta de mais de 0 50%, após máxima aos 98,660 pontos.

A crise política na França, com a renúncia na segunda do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, defensor de cortes em gastos públicos, voltou a pesar sobre o euro.


O iene caiu cerca de 1% com as apostas de que a nova líder do governista Partido Liberal Democrata, Sanae Takaichi, pode adotar uma política fiscal mais flexível.

Aos temores de deterioração fiscal na França e no Japão soma-se a falta de sinais de entendimento no Congresso americano para resolver o impasse orçamentário e pôr fim à paralisação parcial (shutdown) do governo dos Estados Unidos (EUA), que já está em seu sétimo dia.


“Estamos vendo um movimento de aversão global ao risco que leva a um fortalecimento da moeda americana e recuo das taxas dos Treasuries. A paralisação do governo americano leva os investidores a buscarem ativos mais seguros”, afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

A economista ressalta que o real é mais castigado em razão da discussão em torno da MP alternativa ao aumento do IOF no Congresso, que caduca na quarta-feira. A perspectiva de que o texto em discussão traga uma receita menor que a estimada pelo Ministério da Fazenda aumenta o receio de que o governo não consiga cumprir as metas fiscais.

“Isso está gerando um desconforto no mercado, levando a um aumento da percepção de risco, o que contribui para a alta mais forte do dólar por aqui”, afirma Quartaroli.

O relatório da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), retirou da proposta o aumento da tributação das bets. Também ficaram fora do texto, como já havia sido adiantado, a taxação de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA).

Segundo Zarattini, com as alterações no relatório, a previsão de arrecadação da MP é de R$ 17 bilhões - R$ 3 bilhões a menos do que a previsão anterior.

Com o mercado já fechado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad confirmou a arrecadação estimada em R$ 17 bilhões com a MP em 2026, minimizou manutenção da isenção das letras financeiras e disse que a previsão é de que texto seja aprovado ainda nesta terça pelo Congresso. “Houve concessões mútuas”, disse o ministro, sobre a negociação com os parlamentares.

Operadores também citaram certo desconforto com declaração de Haddad peça manhã dando conta de que o governo está realizando um mapeamento do sistema de transporte público, a pedido do presidente Lula.

Circularam nos últimos dias informações, não confirmadas, de que o governo pretende pôr em pé a proposta de zerar a tarifa de ônibus urbanos.

Para a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, a manutenção da taxa de câmbio ao redor de R$ 5,30 é insustentável dada a fragilidade da situação fiscal.

Ela observa que, além de questões estruturais, há chance de possível expansão de gastos em ano eleitoral.

“Nosso fiscal não é o fim do mundo, mas em algum momento precisará ser corrigido”, afirma a economista, que projeta um câmbio variando entre R$ 5,50 e R$ 5,60 à frente.

Perguntas e Respostas

 

Qual foi a cotação do dólar ao final do dia 7 de outubro?

 

O dólar fechou a R$ 5,35, com uma alta de 0,74% em relação ao dia anterior.

 

Quais fatores contribuíram para a alta do dólar?

 

A alta do dólar foi impulsionada pelo fortalecimento da moeda americana no exterior e pela preocupação com a arrecadação fiscal devido às mudanças na Medida Provisória (MP) alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

 

Como o real se comportou em comparação com outras moedas latino-americanas?

 

O real teve o pior desempenho entre as divisas latino-americanas e a segunda maior perda entre as moedas emergentes, superado apenas pelo florim húngaro.

 

O que causou a desvalorização do real na terça-feira?

 

A desvalorização do real pode ser atribuída a uma correção dos ganhos da moeda brasileira, que havia se destacado na segunda-feira após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

 

Qual foi a situação do Índice DXY no final da tarde?

 

O Índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, operava em alta, ao redor dos 98,630 pontos.

 

Quais eventos políticos influenciaram o mercado cambial?

 

A crise política na França, com a renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, e a falta de entendimento no Congresso americano sobre o impasse orçamentário e a paralisação parcial do governo dos EUA, contribuíram para a aversão ao risco e o fortalecimento do dólar.

 

O que a economista Cristiane Quartaroli disse sobre a situação atual?

 

A economista afirmou que a aversão global ao risco está fortalecendo a moeda americana e que a discussão em torno da MP alternativa ao aumento do IOF está gerando desconforto no mercado, aumentando a percepção de risco.

 

Quais mudanças foram feitas na proposta da MP pelo deputado Carlos Zarattini?

 

O deputado Carlos Zarattini retirou da proposta o aumento da tributação das bets e a taxação de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA).

 

Qual é a nova previsão de arrecadação da MP?

 

A nova previsão de arrecadação da MP é de R$ 17 bilhões, que é R$ 3 bilhões a menos do que a previsão anterior.

 

O que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou sobre a MP?

 

Fernando Haddad confirmou a arrecadação estimada em R$ 17 bilhões com a MP em 2026 e minimizou a manutenção da isenção das letras financeiras, afirmando que o texto deve ser aprovado pelo Congresso.

 

Qual é a perspectiva da economista Marcela Kawauti sobre a taxa de câmbio?

 

Marcela Kawauti acredita que a manutenção da taxa de câmbio ao redor de R$ 5,30 é insustentável devido à fragilidade da situação fiscal e projeta que o câmbio pode variar entre R$ 5,50 e R$ 5,60 no futuro.

 

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