Dólar sobe e termina a semana encostado no patamar de R$ 3,30
Alta de 0,82% da moeda norte-americana foi ocasionada pela cautela dos investidores
Economia|Do R7

Após recuar até a mínima de R$ 3,25, o dólar atraiu compradores, passou a subir e encerrou a sexta-feira (9) próximo do nível de R$ 3,30, ainda dentro da banda informal criada com a crise política que mantinha os investidores cautelosos.
O mercado passou a sessão de olho no quarto dia do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com expectativas de que o presidente deve sair vitorioso.
Na sessão, o dólar avançou 0,82%, a R$ 3,2921 na venda, depois de ter batido R$ 3,2556 na mínima do dia. Na semana, a moeda acumulou elevação de 1,15%. O dólar futuro tinha alta de 0,9%.
"O mercado está um pouco mais tranquilo com a perspectiva de que Temer não vai ser cassado. Mas há muitas coisas no cenário", afirmou o analista de câmbio da corretora Fair, José Roberto Carrera.
O dólar tem oscilado entre R$ 3,25 e R$ 3,30 nos últimos dias, após delações de executivos da J&F terem acertado em cheio o governo do presidente Temer, que passou a ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por crime, entre outros, de corrupção passiva.
A percepção de que o presidente não será retirado do cargo — e, se for, poderia ser substituído por alguém que dê prosseguimento às reformas no Congresso Nacional — vem sustentando uma certa calmaria no mercado.
Nesta sessão, as atenções estavam voltadas para o TSE, que retomou o julgamento nesta sexta-feira. Na véspera, os ministros do tribunal retiraram todas as provas relacionadas à Odebrecht da ação que pede a cassação da chapa e sinalizaram a absolvição do presidente Temer e sua permanência no cargo.
"O TSE deve dar vitória para Temer, mas semana que vem podem aparecer outras coisas. Por isso, a cautela não abandona o mercado", afirmou o operador de câmbio de uma corretora nacional ao citar, entre outros, a possibilidade de o PSDB deixar na base do governo.
Até o fechamento do mercado cambial, o placar do julgamento estava empatado em 1 a 1, com os votos do relator Herman Benjamin a favor da cassação e do ministro Napoleão Nunes Maia pela absolvição.
Mesmo com a vitória, analistas avaliam que há vários riscos à permanência de Temer no cargo e é improvável que ele reconquiste as condições anteriores à delação do empresário do grupo J&F que o atingiram e criaram a atual crise. Ao longo da tarde, a cautela foi predominando nos negócios e a moeda aprofundou a alta ante o real.
O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8.200 swaps cambiais tradicionais — equivalente à venda futura de dólares — para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 1,640 bilhão do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.













