Dólar tem forte queda e fecha a R$ 5,25, com clima positivo global
Foi a maior desvalorização percentual diária desde o tombo de 4,025% registrado no último dia 3, na esteira do primeiro turno
Economia|Do R7

O dólar caiu pela segunda sessão consecutiva frente ao real nesta terça-feira (18), pressionado por um movimento global de apetite por risco, na esteira de uma reviravolta fiscal no Reino Unido — embora temores de um aperto monetário muito agressivo nos Estados Unidos persistissem, o que limitou pontualmente as perdas da moeda americana.
A divisa dos EUA teve queda de 0,88%, fechando a R$ 5,2549, na maior desvalorização percentual diária desde o tombo de 4,025% registrado no último dia 3, na esteira do primeiro turno das eleições presidenciais domésticas.
Na B3, às 17h05 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,66%, a R$ 5,2630.
Boa parte do bom humor dos mercados internacionais veio depois que o novo ministro das Finanças britânico, Jeremy Hunt, descartou, na segunda-feira (17), o plano econômico da primeira-ministra Liz Truss, avaliou Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável da Davos Investimentos.
A agenda fiscal de Truss previa grandes cortes de impostos sem compensação por parte do governo, o que vinha provocando ondas de estresse no mercado de títulos britânicos e contaminando o humor global.
Por outro lado, limitando as perdas do dólar frente ao real, uma leitura desta terça-feira mostrou que a produção manufatureira nos Estados Unidos aumentou mais que o esperado em setembro, ao ritmo de 0,4%.
Os dados "sugeriram a manutenção de pressões inflacionárias na economia do país, processo que deve ter como consequência a manutenção da postura restritiva por parte do Fed em relação à política monetária, o que proporcionou um influxo de recursos na economia norte-americana" e uma recuperação pontual do dólar em relação aos menores patamares do dia, disse Matheus Pizzani, economista da CM Capital.
Depois de chegar a cair até 1,13% nas primeiras negociações, a R$ 5,2410, o dólar ganhou fôlego na esteira dos dados da indústria americana e chegou a ter sua queda reduzida para apenas 0,02%, a R$ 5,3002, no início da tarde, antes de voltar a operar firmemente no vermelho e continuar assim até o encerramento.
O Federal Reserve, banco central dos EUA, já subiu os juros em 3 pontos percentuais desde março deste ano, e contratos futuros vinculados a sua taxa básica embutem nova alta, de 0,75 ponto percentual, pelo menos, em sua reunião de política monetária de novembro.
Quanto mais altos os custos dos empréstimos dos EUA, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente, conforme o mercado de dívida americano começa a oferecer rendimentos maiores a risco quase zero, atraindo capital estrangeiro.
No Brasil, no entanto, especialistas vêm apontando fatores domésticos como pontos de apoio para a moeda local, em meio ao ambiente externo ainda desafiador: "Vale lembrar que a taxa Selic em níveis de 13,75%, além da resiliência de dados econômicos recentes, ajuda também a impulsionar o real", disse Boragini, da Davos.
Ele acrescentou que o mercado local "segue de olho nas eleições e acompanha de perto as pesquisas de intenção de voto que serão divulgadas ao longo da semana", a apenas 12 dias do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
O dólar cai 5,72% frente ao real até agora em 2022, embora esteja 14% acima da menor cotação de encerramento do ano, de R$ 4,6075, atingida no início de abril.













