Dólar tem maior alta desde dezembro com a escalada do conflito entre EUA e Irã
Moeda americana fechou a terça-feira (3) cotada a R$ 5,26; Bolsa registra queda
Economia|Da Reuters
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Após se aproximar dos R$ 5,35 no início da tarde, o dólar perdeu força no Brasil e fechou terça-feira (3) em patamar mais baixo, mas ainda assim com forte alta ante o real, na esteira do acirramento do conflito entre EUA e Irã.
O dólar à vista fechou sessão com alta de 1,91%, para R$ 5,26. Foi o maior avanço percentual em um único dia desde os 2,34% de 5 de dezembro do ano passado — dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado como candidato à Presidência.
Em 2026, o dólar à vista acumulado agora caia 4,10%.
Às 17h21, o dólar futuro para abril - o mais líquido no mercado brasileiro - subia 1,67% na B3, para R$ 5,3035.
Na segunda-feira uma autoridade de alto escalonamento da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tente passar pelo Estreito de Ormuz -- onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é “tarde demais” para negociar com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado norte-americano.
A ocorrência nos mercados globais foi o alto forte do petróleo e a fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio aos recebimentos de que o conflito pode reduzir o crescimento e acelerar a inflação.
No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$ 5,3444 (+3,47%) às 12h20, em um momento em que a bolsa brasileira estava nas mínimas do dia.
Profissionais consultados pela Reuters afirmaram que a disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) no mercado de câmbio se intensificou em vários momentos do dia o avanço do dólar, com investidores vendidos em dólar (esperando a queda das cotações) fechando posições.
O avanço do dólar ante o real esteve em sintonia com a disparada da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano.
“O investidor precisa cobrir posição lá fora, (então) ‘vende emergente’. É o movimento clássico de aversão ao risco”, comentou à tarde Fernando Bergallo, diretor de assessoria do FB Capital.
“O mercado está revertendo toda aquela informação relativa ao risco que trouxe o dólar para R$ 5,13. Mas espero que seja transitório”, acrescentou.
Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio ainda são bastante incertos, o que dificultam quaisquer projeções sobre o dólar e as taxas de juros no curto prazo. No mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), as taxas dispararam nesta terça-feira, na esteira da busca dos investidores por ativos de menor risco.
“Com o petróleo em alta, crescendo as preocupações com a inflação global. Isso faz os investidores reverem expectativas de cortes de juros e adotarem uma postura mais defensiva”, disse Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, em comentário por escrito.
“Em momentos como esse, normalmente, o mercado reduz a exposição a ações de risco, como ações e moedas de países emergentes, e busca proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.”
Durante a tarde, em meio à forte pressão de alta para a moeda norte-americana, o Banco Central do Brasil anunciou e cancelou logo a sequência de dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), alegando um erro técnico.
No exterior, às 17h14, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,47%, a 98,979.
Ibovespa tem maior queda do ano
O Ibovespa fechou em queda de mais de 3% nesta terça-feira, com a versão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que veio de um rali sustentado por estrangeiros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,46%, a 182.763,31 pontos, menor patamar de fechamento desde 5 de fevereiro e maior queda percentual desde 5 de dezembro de 2025, segundo dados preliminares.
No mínimo do dia, marcou 180.518,33 pontos. Na máxima, 189.602,38 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 42,9 bilhões antes dos ajustes finais.
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