Empresas contratam mais e faturam R$ 800 mil extra com a Copa
Empresários tiveram que pedir autorização da Fifa para fabricar mercadorias
Economia|Vanessa Beltrão, do R7

A maioria dos brasileiros (98%) reconhece a marca Copa do Mundo, de acordo com um levantamento da Fifa realizado antes do torneio mundial de futebol e da Copa das Confederações. Para poder comercializar as mercadorias com o logotipo do Mundial e até mesmo a imagem do mascote, o Fuleco, empresas precisam ter uma autorização da Federação.
Passadas as questões burocráticas de licenciamento da Fifa, os empresários aumentaram o número de funcionários para dar conta da produção e incrementaram o seu faturamento. A empresa Alumiart Falcão, em Guaianases, zona leste de São Paulo, fabricou 50 mil baldes de gelo de 22 modelos personalizados para a Copa do Mundo.
O proprietário da Alumiart, Roberto Haron, afirma que fatura anualmente mais de R$ 2 milhões e os produtos personalizados para a Copa vão aumentar em 40% esses ganhos neste ano. Isso representa cerca de R$ 800 mil extras para a empresa. Dos 50 mil baldes colocados no mercado, a companhia já vendeu quase todos. Os clientes vão desde bares, restaurantes a até mesmo o comércio pela web, o chamado e-commerce.
— O balde de gelo em si virou moda, todo mundo que vai para um bar e restaurante quer tomar a bebida na temperatura certa. A gente foi beneficiado. As próprias cervejarias tiveram uma demanda maior em função da Copa do Mundo.
Só para ter uma ideia, dados da CervBrasil (Associação Brasileira da Indústria da Cerveja) mostram que a indústria cervejeira do País produziu 3,2 bilhões de litros da bebida apenas no segundo trimestre deste ano. O volume é 12% maior do que o produzido no mesmo período em 2013.
A Alumiart Falcão é a empresa líder de mercado na confecção de baldes de gelo e fornece para marcas como Ambev, Heineken e Itaipava. Cada balde foi vendido em torno de R$ 40.
— Teve uma boa saída. Está dentro da expectativa.
Para dar conta da produção, a empresa aumentou o número de funcionários de 28 para 37.
Em Apucarana, no Paraná, a empresa Boneleska também conseguiu o licenciamento da Fifa e investiu na produção de bonés com a marca do mundial. Ao todo, foram dois anos de trabalho, sendo seis meses de prospecção junto à Federação e o restante em vendas e produção.

Em um ano de contrato junto a Fifa, já foram vendidos 120 mil bonés. Para a gerente administrativa da empresa, Daniele de Lima, o resultado das vendas é “bom se tratando de uma empresa que tem 50 funcionários”. Devido a produção para a Copa, as contratações também aumentaram 20%.
Orientação
O Sebrae orientou as empresas interessadas em obter o licenciamento da Fifa. Essas poderiam comercializar vestuário, calçados, malas, bolsas, souvenir, itens para casa, malas e brinquedos.
Porém alguns produtos foram barrados. Isso porque os patrocinadores do Mundial têm reserva de mercado, então não poderiam ser licenciados álbum de figurinha, alimentos, relógios, moedas e eletrônicos, pois já eram fabricados por empresas que financiam o Mundial.
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Segundo Daniele, o fato da empresa já trabalhar com licenças para produtos infantis de personagens como Barbie e Ben 10 mostrou que a companhia já tinha experiência, o que facilitou o processo.
— A gente tem um pouco de experiência em como procurar, quem são os donos das marcas, sabemos dos royalties que temos que pagar e que a empresa tem que estar toda certa na parte fiscal.
De acordo com o Sebrae, os produtos só vão ao mercado depois de aprovados pela Fifa. Manuais com orientações para desenho e produção de artigos oficiais são distribuídos para as empresas. O órgão também explica que os candidatos a licenciar marcas precisavam conciliar qualidade e preço justo, fabricar produtos seguros, apresentar capacidade de distribuição e ter flexibilização na entrega.
O processo, assim como o da Bonleska, foi longo. A Alumiart Falcão começou as negociações com a Fifa em outubro de 2012 e apenas finalizou o contrato em fevereiro de 2013. A empresa também comercializou os produtos para a Copa das Confederações, realizada no País entre os dias 15 e 30 de junho. Roberto Haron afirma que o órgão “é muito exigente com a preparação dos produtos que serão comercializados”.
As empresas que fecharam o contrato com a Fifa tiveram que pagar uma espécie de valor mínimo garantido em contrato que não pode ser divulgado pelas companhias, além dos royalties de cada produto vendido. Segundo Roberto Haron, no caso da Alumiart, os royalties ficam em 12% sobre o valor de cada balde, ou seja R$ 4,80 dos R$ 40 vão para a Federação de futebol.
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