Economia Entenda o que é a desoneração da folha e o impacto na economia

Entenda o que é a desoneração da folha e o impacto na economia

Medida troca tributos sobre salários por alíquota sobre faturamento e beneficia setores que empregam mais de 6 milhões

  • Economia | Do R7

Medida beneficia 17 setores que empregam 6 milhões de pessoas

Medida beneficia 17 setores que empregam 6 milhões de pessoas

Reprodução/Agência Brasília

A desoneração da folha de pagamento está em vigor desde 2011 e beneficia 17 setores da economia que mais empregam no país ao reduzir os encargos cobrados sobre os salários dos funcionários. Pelas regras atuais, a validade da desoneração acaba no fim de 2021.

No entanto, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (11) que vai estender a medida por dois anos. Além disso, um projeto na Câmara, de autoria do deputado Efraim Filho (DEM-PB), prevê a prorrogação dos efeitos da desoneração para o fim de 2026.

A desoneração beneficia as empresas porque reduz os encargos trabalhistas que são pagos por elas. A medida consiste em trocar os tributos sobre os salários dos empregados por uma alíquota sobre o faturamento.

Hoje, essas empresas podem escolher: ou pagam 20% de contribuição previdenciária sobre os salários dos funcionários ou uma alíquota que vai de 1% a 4,5% sobre o faturamento bruto. 

Com isso, os setores com elevado grau de mão de obra pagam menos aos cofres públicos. O incentivo foi criado para estimular a contratação de funcionários e a manutenção de empregos. Juntos, os setores de construção civil, calçados, tecidos, transporte rodoviário, proteína animal e comunicações empregam mais de 6 milhões de trabalhadores.

Impacto

No início, quando a medida entrou em vigor, 56 setores eram contemplados, mas o ex-presidente Michel Temer sancionou, em 2018, uma lei que removeu 39 segmentos do regime diferenciado. Entre os 17 setores que ainda têm a opção de fazer o recolhimento com base na receita bruta estão os de calçados, call center, construção civil, veículos, transporte e têxtil.

Estimativas mostram que até 6 milhões de trabalhadores podem perder o emprego caso a desoneração da folha seja encerrada.

A medida beneficia companhias de call center, informática, empresas de comunicação, companhias que atuam no transporte rodoviário coletivo de passageiros e de construção civil e de obras de infraestrutura.

Prorrogação

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta quinta-feira (11) que acertou com representantes do setor produtivo a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos por mais dois anos. Ele recebeu os empresários no Palácio do Planalto.

O tema também está em discussão na Câmara, em projeto que prevê prorrogar a medida até 2026. A proposta já foi apovada pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e aguarda liberação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e depois no plenário da Câmara.

A equipe econômica do governo federal, no entanto, teme o impacto que a medida pode ter nas contas públicas, pois significa redução da arrecadação federal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem feito diversas reuniões para chegar a um acordo, mas não houve perspectiva de entendimento.

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