Economia Ex-presidente do BC defende Campos Neto e critica regra fiscal

Ex-presidente do BC defende Campos Neto e critica regra fiscal

Affonso Celso Pastore afirma que a proposta da equipe de Fernando Haddad vai 'cobrir gastos com aumento de receita'

Agência Estado - Economia

Marcos Oliveira/Agência Senado

O BC (Banco Central) reduzirá a taxa básica de juros, a Selic, quando se sentir confortável para esse movimento. Foi o que avaliou Affonso Celso Pastore, sócio-fundador da A.C. Pastore & Associados e ex-presidente do Banco Central.

"Simplesmente estamos discutindo quando o Banco Central vai começar a baixar, quando omitimos o que segura juros em nível alto, que é a política fiscal expansionista", declarou Pastore durante o IX Seminário Anual de Política Monetária, promovido virtualmente pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Pastore criticou a postura do governo, dizendo achar esquisito que se bata no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por estar fazendo seu trabalho.

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"Ele [BC] está fazendo o trabalho dele. Agora o juro, quando ele terminar de fazer o trabalho dele, vai estar muito alto", disse Pastore. "Existe um erro crasso da política fiscal, não do Banco Central."

Quanto ao momento de início do ciclo de corte de juros, Pastore afirmou que não gosta de fazer projeções, mas deixou seu palpite: "Não vou dizer quando vai começar, mas acho que começa em agosto".

Para ele, em algum momento o BC vai cortar o juro, mas agora a inflação está alta e o mercado de trabalho vive um momento de pleno emprego.

Quanto à questão de gastos do governo, o economista criticou o arcabouço fiscal em votação no Congresso, dizendo que leva a um aumento das despesas.

"Esse que está aí espera cobrir gastos com aumento de receita, essa é a expectativa", resumiu. Para ele, o arcabouço não eliminou, mas reduziu o risco de um evento extremo (chamado tecnicamente de risco de cauda) de descontrole nas contas públicas.

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Ele calcula que a taxa de juros no Brasil vá cair, mas se manter acima da dos Estados Unidos, o que atrairá capital. Como não tem risco de cauda, o capital vem e mantém o real valorizado, estima Pastore.

No entanto, a política monetária do Fed deve ter reflexos na economia dos Estados Unidos nos próximos meses, com risco de recessão local, o que terá impactos também sobre a atividade econômica brasileira, que enfrentará uma desaceleração em alguns meses.

"Campos Neto estará no Banco Central em 2024", lembrou Pastore. "A pergunta é: a economia desacelera; o que o governo vai fazer? A gente vai assistir, no mínimo, no mínimo, a um acionamento de bancos públicos."

Pastore calcula que a taxa neutra de juros no Brasil fique mais alta nesse cenário. Segundo ele, o tema estará em discussão num horizonte de seis meses a um ano.

"Nenhum de nós consegue mudar a política econômica do governo americano, do Fed, do Banco Central do Brasil, do governo brasileiro", frisou. "O estado da natureza agora está muito melhor do que vai estar daqui a seis meses, a um ano. Eu vejo pela frente dificuldades no fronte da condução econômica."

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