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Falência da Avianca Brasil vira desafio para o setor aéreo

Com apenas três grandes companhias aéreas nacionais, falta de concorrência tem provocado efeitos sobre os preços das passagens

Economia|Da EFE

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Avianca acumula dívidas de mais de R$ 1 bilhão
Avianca acumula dívidas de mais de R$ 1 bilhão

Com a Avianca Brasil em processo de falência desde dezembro, o setor de aviação do país passou a contar com apenas três grandes companhias aéreas nacionais, uma falta de concorrência que tem provocado efeitos sobre os preços das passagens.

Antes chamada de OceanAir, a Avianca Brasil é uma empresa independente da matriz colombiana que entrou em regime de recuperação judicial e acumula dívidas de mais de R$ 1 bilhão. O processo gerou uma série de ações contra a companhia e a levou a realizar um leilão de ativos, previsto para ocorrer na próxima quarta-feira (10).

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Uma empresa aérea quebra a cada dois anos no Brasil

"Com a saída de uma concorrente, neste caso a Avianca, os preços das passagens sobem e as três principais companhias aéreas restantes podem impor as regras que quiserem", disse o professor do Centro de Estudos Econômicos da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Ulysses dos Reis.

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Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram que, nos cinco primeiros meses de 2019, Gol, Latam e Azul foram responsáveis por mais de 90% dos embarques em voos domésticos no país, enquanto a Avianca respondeu por 8% do total. As demais companhias aéreas de menor porte, somadas, ficam com os 2% restantes.

Além disso, o preço médio das passagens subiu 14% desde que a Avianca foi obrigada a cancelar milhares de voos em abril, de acordo com uma pesquisa realizada por um portal de venda na internet.

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Reis ressaltou que o aumento dos preços é só a ponta do iceberg. Para ele, a falta de concorrência prejudica o livre mercado e tem um efeito cascata sobre toda a economia do país, desde a locomoção de trabalhadores qualificados e produtos a áreas remotas até a falta de investimento em infraestrutura.

A saída da Avianca Brasil do setor ocorre, além disso, em um momento no qual a ponte área Rio-São Paulo, a quarta mais movimentada do mundo, completa 60 anos e vive uma concentração inédita no mercado: só Gol e Latam podem atualmente operar na rota.

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"O Brasil é um país de dimensões continentais, que tem a urgência de se integrar. O conhecimento flui dos polos para periferia, e a falta de oferta na mobilidade faz com que esse desenvolvimento seja estrangulado", afirmou Reis.

Apesar da recente permissão das autoridades brasileiras para a entrada de companhias aéreas estrangeiras no mercado local, como a Air Europa, Reis acredita que pouca coisa irá mudar se não houver mais investimentos e a quebra dos monopólios existentes.

Alta no preço das passagens aéreas faz procura por ônibus crescer 15%

O superintendente de Acompanhamento de Serviços Aéreos da Anac, Ricardo Bisinotto Catanant, explicou que a saída abrupta da Avianca Brasil provocou um repentina diminuição da oferta e, consequentemente, teve impacto nos preços das passagens.

No entanto, Catanant avaliou que as políticas que o governo de Jair Bolsonaro tenta implementar poderão fomentar a chegada de novas empresas no Brasil e, desta forma, ampliar a concorrência e regular o mercado.

"A AirEuropa foi a primeira que solicitou entrada no país e há outros grupos interessados. Isso permite uma maior concorrência", disse o superintendente.

Mas a alta nos preços das passagens fez com que muitos brasileiros migrassem para outros tipos de transporte, como o rodoviário.

Segundo a conselheira da Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), Leticia Sampaio Kitagawa, o número de passageiros que trocou o avião pelo ônibus cresceu 12% entre janeiro e junho deste ano. Em algumas rotas específicas, esse crescimento chega até 16%.

No entanto, o setor de aviação continua dominando o mercado. Em 2018, 93,6 milhões de passageiros ocuparam os assentos das aeronaves em viagens domésticas contra 50 milhões que optaram pelo ônibus no mesmo período.

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