Famílias precisam ‘olhar o próprio orçamento’ para evitar novas dívidas, diz especialista
Inadimplência no país voltou a subir após três meses de queda, chegando a 29,6%
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O Brasil atingiu um novo recorde de endividamento no mês de fevereiro, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Com mais de 80% das famílias do país com alguma dívida, a pesquisa mostra também uma alta da inadimplência, que voltou a subir após três meses de queda e chegou a 29,6%.
O cenário reflete a manutenção da Selic, a taxa básica de juros, que continua a 15% ao ano, o que encarece o crédito e dificulta o pagamento das dívidas. Os dados ainda mostram que o cartão de crédito se mantém como a principal causa de endividamento, citado por 85% dos entrevistados.

“O que essa pesquisa destaca pra gente é que esse endividamento está crescendo, está atingindo todas as classes sociais, do grupo A ao grupo E das classes sociais, e tem aumentado a inadimplência. É muito preocupante isso”, destaca o especialista em finanças Ricardo Hiraki.
Em entrevista ao Alerta Brasil desta quinta-feira (12), Hiraki compara os atuais patamares aos números registrados em meados de 2021, em que 60% das famílias tinham algum tipo de dívida.
Uma das razões para o aumento do endividamento, segundo o especialista, é a dificuldade da população em lidar com o cartão de crédito. “Uma vez que ele estoura, não cabe no orçamento do mês seguinte, as pessoas acabam caindo no rotativo, que tem um juros ali acima de 10%, que são juros absurdamente altos”, diz.
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Hiraki acredita em uma redução da taxa Selic, mas pontua que “eu realmente não acredito que isso vai reduzir o endividamento das famílias ou reduzir a inadimplência. As pessoas vão ter que se dedicar mais e não só buscar crédito mais barato ali no mercado, mas também conseguir se planejar mais, se dedicar mais, dando mais atenção em outras coisas que fazem parte do orçamento da família para conseguir amortizar as dívidas sem contrair novas”.
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