China

Economia Flexibilização começa na China, mas mercado continua receoso  

Flexibilização começa na China, mas mercado continua receoso  

Há dúvidas ainda se o país realmente desistiu da política Covid zero, enquanto Bolsa brasileira sofre com volatilidade das commodities 

  • Economia | Camila Nascimento*, do R7

Reabertura na China começou na quarta-feira (1°)

Reabertura na China começou na quarta-feira (1°)

Hector RETAMAL / AFP

Após dois meses da manutenção da política Covid zero em Xangai, o governo chinês deu início às flexibilizações na última quarta-feira (1°). Moradores que estavam em confinamento voltaram as ruas, e o país teve mostras do retorno à normalidade. Apesar da alta de mais de 2% até a quarta-feira, o mercado não vem demonstrando confiança em uma possível reabertura.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, registrou queda de 0,75% na semana, interrompendo sequência de três altas semanais.

A recuperação mais forte da China deve vir só no segundo semestre. Enquanto isso, a Bolsa brasileira segue volátil, e a cotação das commodities, que influenciam no preço dos alimentos e da energia, continua pressionada. 

Segundo Hugo Garbe, professor do Mackenzie e economista-chefe da G11 Finance, a retomada na China pós-Covid-19 não se dará imediatamente depois da reabertura. “A recuperação pós-crise exige um período de adaptação e também de recuperação. O Brasil, por exemplo, começou a ter resultados importantes no PIB depois de seis meses de reabertura econômica. O incremento de 1% no crescimento aconteceu seis meses depois da reabertura parcial do comércio. Então, a expectativa é que a economia chinesa tenha uma recuperação forte a partir do segundo semestre de 2022”, afirma.

“No caso da China houve uma reabertura, depois fecharam novamente. Principalmente em Xangai, a economia foi fechada completamente. Enquanto outros países estavam com ela pujante e aberta. Isso prejudicou também a recuperação do país”, completa Garbe.

O mercado enxerga com receio os sinais de reabertura, de acordo com Jennie Li, estrategista de ações da XP. “Estamos vendo sinalizações um pouco mais positivas com a reabertura econômica em Xangai, porém ainda restam dúvidas como a China vai abordar isso daqui para a frente. Ainda não é claro para o mercado se a política de Covid zero acabou. Pode ser que surjam outros surtos, e isso poderia levar a novas restrições. Essas políticas estão no radar ainda”, explica.

“Ao longo desses últimos meses, eles continuaram a insistir que vão controlar a Covid-19, por conta de várias preocupações por lá, como baixa vacinação entre idosos e dúvida sobre uma imunidade de rebanho. Não se sabe também se uma reabertura total levaria a uma explosão de casos na China”, complementa Jennie Li.

Demora na retomada chinesa prejudica o Brasil

Para a estrategista de ações, apesar da expectativa de recuperação, dificilmente a China vai conseguir as metas para a economia. “O PIB do segundo semestre, provavelmente, vai refletir os impactos da Covid-19. A dúvida é se a China vai conseguir atingir a meta de crescimento de 5,5%. Provavelmente não. Isso acende um grande alerta de desaceleração econômica, junto com uma política de retirada de estímulos monetários dos bancos centrais dos mercados envolvidos, há uma preocupação para a economia global como um todo”, analisa a economista da XP.

Segundo ela, a dúvida do mercado sobre a recuperação e outros lockdowns na China vão ter impactos negativos na Bolsa brasileira. “Essa situação reflete, principalmente, no preço e na volatilidade das commodities, à medida que a gente tem notícias da demanda chinesa ou não. Daqui para a frente, para o mercado de forma geral isso acaba sendo um risco. Eu olharia para o mercado chinês ainda com um olhar de cautela a médio e longo prazo”, afirma Jennie Li.

Como segunda maior economia, a desaceleração da China impacta outros países, inclusive o Brasil. “Por ser um importante player do mundo e o maior mercado consumidor, se a economia chinesa continua em lockdown e entra em recessão, você tem uma diminuição de consumo de vários produtos e matérias-primas importantes como um todo, como minério de ferro, veículos, produtos de consumo etc. Isso faz com que grande parte dos países dependentes do consumo chinês sinta o reflexo na sua economia”, explica Hugo Garbe.

O Ibovespa por enquanto está encerrando a semana em queda, depois de três altas semanais consecutivas.

* Estagiária do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

Últimas