Economia Guedes diz que servidores devem ter reajuste de salário em 2023

Guedes diz que servidores devem ter reajuste de salário em 2023

Plano do governo era cortar verbas ministeriais para conceder 5% de reajuste neste ano, mas despesas não permitiram 

  • Economia | Do R7, com Reuters*

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que aumento salarial só em 2023

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que aumento salarial só em 2023

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira (20) que os funcionários públicos federais devem ter aumento de salário no próximo ano. De acordo com Guedes, com a redução de gastos com a pandemia, com o aumento da produtividade e com a maior oferta de serviços digitais para a população, será possível aumentar os salários dos servidores.

A afirmação foi feita durante o evento pelos 70 anos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), no Rio de Janeiro. "Os governos passados contrataram 160 mil pessoas liquidamente. Se aposentam por ano de 20 mil a 30 mil. Fizemos o contrário. Os servidores se aposentaram e nós digitalizamos os serviços. A produtividade subiu e pode haver aumento de salário brevemente", disse.

A expectativa era haver um aumento ainda neste ano, mas o presidente Jair Bolsonaro já admitiu que os servidores não vão receber o reajuste em 2022. O plano inicial do governo federal era cortar verbas ministeriais para conceder 5% de reajuste. Mas as despesas da União impossibilitaram essa proposta.

Rasteira

Durante evento nesta segunda-feira, o ministro da Economia também afirmou que a área jurídica do BNDES aplicou uma "rasteira" no governo para segurar a devolução de recursos ao Tesouro Nacional.

Guedes disse que o órgão foi ao TCU (Tribunal de Contas da União) para argumentar que teria perdas se mantivesse o ritmo das devoluções porque estaria gastando mais com subsídios. Os recursos são relativos a empréstimos feitos anteriormente pela União para capitalizar o banco público.

"Estão devendo e aplicaram uma rasteira na gente", disse. "Quando a inflação sobe, o Brasil está subsidiando o BNDES. O jurídico do BNDES teve a coragem de ir ao TCU para convencer o TCU que é o contrário. E o TCU caiu, falaram que se devolver (os recursos) agora impõe uma perda ao banco, é o contrário, vocês estão se beneficiando do subsídio, deveriam estar devolvendo porque o Brasil está em guerra."

De acordo com o ministro, os repasses do BNDES ao Tesouro já totalizaram R$ 260 bilhões. Ao fazer a declaração, o ministro discordou de um dos participantes, que disse que a devolução teria superado R$ 400 bilhões.

Segundo o boletim de subsídios do Tesouro ao BNDES publicado em maio, as chamadas liquidações antecipadas, com devoluções entre 2015 e 2021 pelo banco de fomento, somaram R$ 472 bilhões.

Procurado, o BNDES informou que até hoje já foram pagos R$ 565,1 bilhões ao Tesouro, sendo R$ 22,7 bilhões em 2022. O saldo remanescente a ser devolvido, segundo o banco, é de R$ 81 bilhões.

"Em janeiro de 2021, o Tribunal de Contas da União determinou a irregularidade dos empréstimos concedidos ao BNDES pela União. Em março de 2021, foi estabelecido entre o Banco e o órgão regulador um cronograma de pagamentos. O BNDES vem seguindo estritamente o acordado", disse o banco de fomento em nota, sem responder se acionou novamente o TCU ou se pediu mudança no cronograma de pagamentos.

No evento, Guedes também voltou a defender a venda de ativos da carteira do BNDES e a criação de fundos com recursos provenientes dessas operações para bancar investimentos públicos e programas sociais.

Segundo ele, “só de falar que vai privatizar a Petrobras” e fazer migração para o novo mercado, o valor da companhia passa de R$ 450 bilhões para R$ 750 bilhões.

O ministro também voltou a dizer que a economia mundial terá dias piores pela frente. Para ele, o Brasil pode ter dinâmica própria e crescer porque tem mais de R$ 800 bilhões em investimentos privados para os próximos anos.

Sem dar detalhes sobre medidas que poderiam ser adotadas, ele disse que, se houver escalada na guerra na Ucrânia, “vamos para o sacrifício de novo, todo mundo apertando o cinto”.

* Com Agência Estado

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