Economia Ibovespa cai quase 3% e dólar fecha a R$ 5,66 com gastos do governo

Ibovespa cai quase 3% e dólar fecha a R$ 5,66 com gastos do governo

Índice de ações teve o menor fechamento em 11 meses, enquanto moeda americana alcança o maior patamar em seis meses

  • Economia | Do R7, com Reuters

Dólar fechou à vista em alta de 1,90%, a R$ 5,6683 na venda

Dólar fechou à vista em alta de 1,90%, a R$ 5,6683 na venda

Gary Cameron/Reuters - 26.03.2015

A confirmação de que o governo planeja driblar o teto de gastos para financiar seu programa de auxílio social, a ser lançado antes das eleições de 2022, ditou a piora generalizada das perspectivas econômicas do país. O principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, atingiu o menor fechamento em 11 meses e o dólar, o maior patamar em seis meses.

Leia também: Governo acerta teto de gastos que abrirá espaço de R$ 83,6 bi em 2022

A moeda americana disparou contra o real nesta quinta-feira (21) e fechou à vista em alta de 1,90%, a R$ 5,6683 na venda, o maior valor de fechamento desde 14 de abril deste ano e sua maior valorização diária desde 8 de setembro.

O Ibovespa desabou 2,75%, para 107.735,01 pontos, o menor patamar desde 20 de novembro de 2020. 

A volatilidade decorrente do nervosismo com a rápida deterioração do cenário impulsionou o volume de negócios, que somou R$ 43,4 bilhões.

O movimento legislativo para "adequar" o teto orçamentário, mudando o prazo de correção do teto de gastos, e acomodar o auxílio a famílias de baixa renda até dezembro de 2022 foi a senha para economistas se certificarem de uma iminente piora das contas públicas, o que deve ser compensado com juros mais altos.

"Desenvolvimentos recentes na frente fiscal contaminam os preços dos ativos, prejudicam a credibilidade da política e aumentam o risco de alta para nossas perspectivas de inflação de médio prazo", afirmou o JPMorgan, prevendo que o Banco Central vai acelerar a alta da Selic nas próximas duas reuniões.

Como resposta, ações de empresas que brilharam durante a pandemia, como as de comércio eletrônico e de construtoras, que já vinham sendo alvo de realização de lucros, intensificaram as perdas. O mesmo se deu com papéis ligados a commodities, com uma derrocada dos preços do minério de ferro na China.

Por fim, o temor de uma possível greve de caminhoneiros de larga escala pressionou diretamente as empresas de combustíveis, após um evento nesta manhã no Rio de Janeiro.

Destaques

- AMERICANAS despencou 10,76% e MAGAZINE LUIZA perdeu 6,34%, ilustrando como ações de empresas que cresceram fortemente durante a pandemia têm sido alvejadas pela realização de lucros.

- BANCO INTER despencou 10,7%, chegando a 50% de desvalorização desde julho. BANCO PAN retrocedeu 7,88%. GETNET desabou 19,8%, devolvendo quase todo o ganho acumulado deste sua estreia na bolsa, na segunda-feira.

- VIBRA, dona da rede de postos BR, caiu 5,17%; ULTRAPAR, dona da Ipiranga, teve baixa de 5,42%, em meio a temores sobre desdobramentos de uma paralisação de caminhoneiros. Fora do índice, RAÍZEN, dona dos postos Shell no país, recuou 3,16%.

- PETROBRAS perdeu 3,38%. A companhia divulgou resultados operacionais considerados positivos por analistas. O BTG Pactual afirmou que "outro ciclo de fortes resultados financeiros está a caminho", mas que isso deve ser eclipsado pelo ruído em torno da política de preços dos combustíveis.

- VALE cedeu 1,6%, também sob pressão dos preços de metais ferrosos na China, que despencaram devido à queda nos preços do carvão e à estagnação do consumo de aço. USIMINAS tombou 5,4% e CSN perdeu 1,8%.

- BANCO DO BRASIL encolheu 4,2%, BRADESCO teve depreciação de 1,7% e ITAÚ UNIBANCO recuou 1,7%, com os grandes bancos nacionais devolvendo ganhos da véspera.

-SUZANO avançou 1,65%. A produtora de papel e celulose antecipou a meta de remover 40 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera de 2030 para 2025.

- BB SEGURIDADE subiu 0,8%, diante da perspectiva de que a carteira de títulos da seguradora seja beneficiada com um ciclo de alta de juros mais longo.

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