Economia Ibovespa desaba 2,5% e amarga pior semana desde fim de outubro

Ibovespa desaba 2,5% e amarga pior semana desde fim de outubro

Índice caiu aos 120.348,80 pontos com realização de lucros em ações de maior liquidez, como Petrobras, Vale, siderúrgicas e bancos

  • Economia | Do R7, com Reuters

Giro financeiro da sessão superou os R$ 30 bilhões

Giro financeiro da sessão superou os R$ 30 bilhões

Paulo Whitaker/Reuters - 24.6.2019

O apetite por ações brasileiras perdeu fôlego nesta semana, com grandes investidores passando a preferir esperar por novos catalisadores após o Ibovespa ter subido mais de 30% em pouco mais de dois meses.

O principal índice acionário brasileiro caiu 2,54%, para 120.348,80 pontos, pressionado sobretudo por realização de lucros em ações de maior liquidez, como de Petrobras, Vale, siderúrgicas e bancos.

No acumulado da semana, o índice teve queda de 3,78%, após a máxima histórica acima de 125 mil pontos na última sexta-feira, marcando o pior desempenho desde a semana terminada em 30 de outubro, quando teve baixa de 7,2%. O giro financeiro desta sessão somou R$ 33,3 bilhões.

Mesmo o anúncio de um pacote de estímulo econômico de  US$ 1,9 trilhão nos Estados Unidos e o início da vacinação em massa contra a covid-19 em várias partes do mundo não foram argumentos suficientes para sustentar recordes recentes.

Para profissionais do mercado, o movimento errático desta semana, com o Ibovespa alternando fechamentos em alta e baixa desde segunda-feira, pode ser uma indicação da perda de fôlego da valorização baseada puramente em fluxo. Só os estrangeiros trouxeram para o mercado acionário à vista 16,6 bilhões de reais nas primeiras oito sessões do ano.

Segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, após a confirmação do pacote de estímulo nos EUA e o começo da vacinação contra Covid, as atenções passaram a se voltar para as novas medidas de isolamento em várias partes do mundo, com casos pontuais, como do Brasil, parecendo voltar fugir do controle.

Além disso, a deterioração fiscal do país, ponto que ficou em segundo plano nas últimas semanas, recuperou relevo após o Ibovespa ter batido nos 125 mil pontos. "Como isso é próximo do que muita gente previa para o final deste ano, alguns começam a se perguntar se a relação de risco e retorno atual justifica continuar comprando ações", disse.

Para a próxima semana, espera-se início de vacinação no Brasil, reunião do Copom, e publicação pelo Banco Central publica do índice de atividade econômica (IBC-Br) referente a novembro.

Destaques

- PETROBRAS, novamente um dos alvos principais de realização de lucros, caiu 4,5%, também na esteira da queda das cotações internacionais do petróleo.

- VALE recuou 4,35%. Assim como com Petrobras, a ação da mineradora foi um dos motores de alta do Ibovespa nos últimos dois meses. E os papéis estão no centro da disputa pelos contratos de opções sobre ações, que vencem na próxima segunda-feira. Também no setor de metais, USIMINAS cedeu 4,7%. CSN caiu 8,1% e GERDAU recuou 5,9%.

- SANTANDER BRASIL liderou as perdas entre bancos, com retração de 5%, seguido por ITAÚ UNIBANCO e BRADESCO, caindo 3,77% e 2,76%, respectivamente.

- LOCALIZA teve baixa de 4,36%, com o setor de locação de veículos e gestão de frotas todo no vermelho em meio às preocupações com novas medidas de isolamento social que atingiram o setor no ano passado. LOCAMERICA se desvalorizou em 5,9%.

- SUZANO cresceu 2,5%. KLABIN avançou 0,45%. Em relatório a clientes, o BTG Pactual manteve visão positiva para ambos os papéis, dado o cenário de alta de preços da celulose na China.

- JHSF subiu 2,05%. A empresa anunciou mais cedo que suas vendas contratadas somaram 378,6 milhões de reais no quarto trimestre, alta de 192,9% ante igual período de 2019.

- MRV teve baixa de 1,93%, após ter informado na véspera alta nas vendas e queda nos lançamentos do quarto trimestre, no comparativo anual. Segundo o BTG Pactual, as vendas no negócio principal da construtora vieram abaixo das expectativas.

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