Economia Ibovespa fecha em alta no maior nível em quatro meses; dólar fica abaixo de R$ 5

Ibovespa fecha em alta no maior nível em quatro meses; dólar fica abaixo de R$ 5

A moeda americana fechou cotada a R$ 4,95, com baixa de 1,04%; a Bolsa completou seis semanas sem desempenho negativo

Reuters
Bolsa fecha no maior nível desde fevereiro

Bolsa fecha no maior nível desde fevereiro

Amanda Perobelli/Reuters

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (2), tendo superado os 113 mil pontos no melhor momento — o que não acontecia havia quatro meses —, em meio a um clima externo favorável a ativos de risco, com expectativas de que o Federal Reserve possa experimentar uma pausa no ciclo de aumentos de juros nos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,8%, a 112.558,15 pontos, tendo chegado a 113.069,55 pontos na máxima. O índice não ultrapassava o patamar dos 113 mil pontos desde o começo de fevereiro. O volume financeiro somou R$ 28,7 bilhões.

Com a alta nesta sessão, o Ibovespa conquistou um ganho semanal de 1,49% e completou seis semanas sem acumular desempenho negativo — a maior sequência desde a série de sete semanas em alta, de 2 de novembro a 18 de dezembro de 2020.

Já o dólar à vista emplacou nesta sexta-feira a segunda sessão consecutiva de queda ante o real, novamente influenciado pelo exterior. O andamento do acordo sobre o teto da dívida nos EUA e a perspectiva de que o Federal Reserve não subirá os juros em seu próximo encontro conduziram a busca por ativos de maior risco.

Nesse cenário, os índices de ações tinham ganhos firmes no Brasil e no exterior, enquanto a moeda americana era penalizada ante boa parte das divisas de países emergentes.

O dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 4,9549 na venda, com baixa de 1,04%. Na semana, a moeda americana acumulou baixa de 0,61%.

Expectativas

Nos EUA, a criação de postos de trabalho em maio superou as expectativas de economistas, mas uma moderação nos salários fez crescerem as apostas de manutenção dos juros pelo banco central mericano na reunião de 13 a 14 de junho. Seria a primeira decisão de manter os juros inalterados em mais de um ano.

Outro componente de alívio foi a aprovação pelo Senado americano, na quinta-feira (1º), do projeto de lei que eleva o teto da dívida de 31,4 trilhões de dólares do governo, que evitou o que teria sido o primeiro calote da história do país, com desdobramentos globais catastróficos.

"O acordo para elevar o teto da dívida pública dos EUA elimina um dos principais riscos de curto prazo para os mercados, e a crise bancária parece ter entrado em uma fase menos turbulenta", afirmou a equipe do Departamento de Economia do Bradesco, liderada por Fernando Honorato.

Em um relatório a clientes, eles mencionaram que, diminuídos os riscos de cauda, a atenção dos mercados deve retornar a temas como a persistência da inflação, a resiliência da economia americana e o que isso significa para os próximos passos da política monetária.

"A julgar pela sinalização do Fed e pela evolução do cenário, cortes de juros nos EUA ainda em 2023 parecem improváveis."

O clima benigno nos pregões teve suporte ainda de expectativas de estímulos adicionais à economia na China. De acordo com uma reportagem da Bloomberg, Pequim está trabalhando em novas medidas para apoiar o mercado imobiliário.

No caso do Brasil, o comportamento dos mercados tem como pano de fundo, principalmente, os sinais recentes de queda da inflação e o avanço da nova regra fiscal no Congresso Nacional, que alimentaram expectativas de uma possível antecipação do início dos cortes da Selic pelo Banco Central.

A posição técnica dos ativos, de acordo com profissionais do mercado, também corroborou o movimento comprador.

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