Ibovespa fecha outubro com ganho mensal de quase 10%

Principal índice acionário da Bolsa de São Paulo avançou 0,62% nesta quarta-feira e encerrou o mês aos 87.423,55 pontos

Bovespa

Volume financeiro do dia totalizou R$ 18,077 bilhões

Volume financeiro do dia totalizou R$ 18,077 bilhões

Paulo Whitaker/Reuters - 24.8.2015

O principal índice de ações da bolsa paulista fechou em alta nesta quarta-feira (31), após sessão volátil marcada pelos resultados corporativos e movimentos de realização de lucros, encerrando o mês com ganho de quase 10%.

No dia, o Ibovespa avançou 0,62%, encerrando o dia aos 87.423,55 pontos. No começo da sessão, o indicador voltou a quase superar os 88 mil pontos, no melhor momento do dia. O volume financeiro do pregão totalizou R$ 18,077 bilhões.

Em outubro, o Ibovespa acumulou ganho de 9,85%, tendo o segundo melhor desempenho mensal do ano — em janeiro, subiu 11,3%.

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"A ausência de novidades relevantes sobre os próximos passos do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro e alguns balanços corporativos abaixo do esperado abriram espaço para investidores embolsarem lucros após fortes ganhos no mês", avaliou o analista Vitor Suzaki, da corretora Lerosa Investimentos.

Ele citou, contudo, que as vendas foram compensadas pela melhora do apetite a risco no exterior, particularmente o tom positivo em Wall Street, que teve uma sessão de ganhos após resultados corporativos mais fortes, como os do Facebook. Em Nova York, o S&P 500 fechou com acréscimo de pouco mais de 1%, mas terminou o mês com perda de 6,95%.

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No cenário doméstico, balanços trimestrais concentraram as atenções enquanto agentes financeiros seguem na expectativa de novos anúncios sobre a equipe de Bolsonaro, além dos planos para a economia, com destaque para a reforma da Previdência.

Para Chris Gaffney, diretor de mercados globais no norte-americano TIAA Bank, prever o que acontecerá sob o novo governo é um "jogo de tolos". Ele ponderou, contudo, que se o novo governo tiver êxito na implementação de algumas reformas fiscais planejadas, os investimentos no país podem render generosamente.

Destaques

• SANTANDER BRASIL UNIT caiu 5,17%, liderando as perdas do Ibovespa, após divulgar o balanço do terceiro trimestre. Analistas do BTG Pactual disseram que os números foram sólidos, mas que as expectativas agora são elevadas dado o histórico de resultados, com o período de julho a setembro mostrando alguma piora na qualidade. Mesmo com essa queda, as units subiram 18,6% no mês.

• BRADESCO PN recuou 1,29%. O banco apresenta seu desempenho trimestral na quinta-feira, antes da abertura do pregão. Ainda no setor financeiro, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,48% e BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,81%. Em outubro, contudo, os papéis dessas instituições valorizaram-se 19,7%, 11,6% e 45,2%, respectivamente.

• VALE subiu 5,27%, acompanhando a forte valorização de ações de mineradoras no exterior. O UBS elevou a recomendação para os papéis da companhia brasileira negociados nos Estados Unidos, os ADRs, para 'neutra', com o preço-alvo passando de US$ 8,50 para US$ 15. Tal desempenho ajudou a reduzir a perda no mês para 5,2%.

• CIELO valorizou-se 4,5%, quarta alta seguida, apesar de resultado fraco no terceiro trimestre. Para o analista André Martins, da XP, a estabilização de algumas métricas indicam que a empresa pode estar começando a ver o reflexo de suas iniciativas em marketing, novos produtos e posicionamento. Há também expectativa sobre os planos do novo presidente-executivo.

• PETROBRAS PN caiu 1,3%, com a fraqueza do petróleo endossando ajustes. Ficou para esta quarta-feira a possível votação do regime de urgência do projeto de lei que trata do contrato da cessão onerosa do pré-sal. Tal aprovação apenas leva o projeto diretamente ao plenário, não garantindo a votação do texto, sem prazo para ocorrer. No mês, contudo, as preferenciais da petrolífera de controle estatal valorizaram-se quase 31%.

• BRF encerrou em alta de 3,45%, tendo no radar decisão da Rússia de permitir importações de carnes suína e bovina de nove fornecedores do Brasil a partir de 1º de novembro, embora a companhia não apareça na lista. MINERVA, que não está no Ibovespa, mas tinha um frigorífico entre os que foram liberados, avançou 8,28%.