Economia Ibovespa salta aos 115 mil pontos e tem maior patamar desde fevereiro

Ibovespa salta aos 115 mil pontos e tem maior patamar desde fevereiro

Alta de quase 2% faz índice de referência do mercado acionário brasileiro reduzir a 0,45% as perdas no acumulado de 2020

Reuters - Brasil
Volume financeiro da sessão somou R$ 39,6 bilhões

Volume financeiro da sessão somou R$ 39,6 bilhões

Paulo Whitaker/Reuters - 24.6.2019

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (10), superando os 115 mil pontos pela primeira vez desde fevereiro e reduzindo ainda mais a perda acumulada em 2020, fortalecido nesta sessão pela alta das blue chips (ações mais negociadas), apesar da hesitação em Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,88%, a 115.125,63 pontos, reduzindo a perda no ano a 0,45%. Na máxima da sessão, alcançou 115.261,71 pontos. O volume financeiro somou R$ 39,6 bilhões.

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Desde o começo da semana, o Ibovespa vinha ultrapassando os 114 mil pontos durante o pregão, mas sem fôlego para segurar até o final o patamar perdido em fevereiro, antes do forte ajuste negativo desencadeado pela pandemia da covid-19.

Apesar de não ter renovado as máximas apuradas em janeiro, quando encostou em 120 mil pontos, o Ibovespa já acumula valorização de mais de 85% desde as mínimas de março, abrindo espaço para movimentos de realização de lucros, embora tímidos.

Essas operações se refletiram em alguma hesitação na primeira etapa do dia, mas o viés positivo se firmou nas horas seguintes, com a alta de commodities como o petróleo e o futuro do minério de ferro na China respaldando o movimento.

Além disso, o Banco Central Europeu anunciou mais medidas de estímulo para fornecer suporte à economia do bloco monetário, corroborando o ambiente de elevada liquidez nos mercados globais que tem beneficiado ativos de risco.

Nem a falta de consenso em Wall Street atrapalhou a bolsa brasileira, com o Nasdaq subindo, mas o S&P 500 recuando diante de números acima do esperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA e falta de progressos sobre novos estímulos.

De pano de fundo, permanecem as expectativas atreladas aos programas de vacinação contra o coronavírus que começam a ser divulgados por vários países, incluindo o Brasil.

"A descoberta da vacina tem sido um catalisador chave para o rali em ativos de mercados emergentes, com moedas e ações valorizando-se significativamente na segunda quinzena de novembro", destacou a Oxford Economics, em relatório.

Dados da B3 mostram que dezembro continuou registrando entrada líquida de estrangeiros no mercado secundário de ações, com o saldo em R$ 5,9 bilhões até o dia 8, reduzindo mais um pouco o déficit no ano, a R$ 45,6 bilhões.

Nos ajustes finais, a S&P manteve o rating do Brasil em 'BB-/B', com perspectiva estável, citando que a agenda de reformas tem evoluído lentamente, enquanto déficits fiscais maiores exercem pressões de financimento no governo.

Destaques 

- REDE D'OR SÃO LUIZ fechou em alta de 7,73%, a R$ 62,40, após o grupo de hospitais precificar oferta inicial de ações a R$ 57,92 por papel, movimentando R$ 11,39 bilhões. A operação marcou o maior IPO de uma companhia brasileira desde 2013 e avaliou o grupo em R$ 112,5 bilhões. Na máxima da sessão, o papel avançou a R$ 65,92.

- CSN ON disparou 10,5%, fechando a R$ 28,53, recorde de fechamento, após renovar máxima intradia a R$ 28,61, na esteira de projeções da siderúrgica apontando queda no endividamento no próximo ano, bem como previsão de que o IPO de sua unidade de mineração ocorra em janeiro. "Temos oportunidade real de colocar o IPO da mineração no mercado na primeira semana de janeiro", disse o presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch.

- VALE ON avançou 2,78%, também renovando cotações recorde - R$ 85 para fechamento e R$ 85,22 para intradia, em meio ao salto de mais de 7% do futuro do minério de ferro na China. Analistas do UBS elevaram o preço-alvo do ADR da companhia de US$ 13 para US$ 19. As negociações sobre fundos de reparação por Brumadinho entre a Vale e o governo de Minas Gerais também continuam no radar. No final do pregão, a S&P divulgou revisão da perspectiva do rating da Vale para 'estável', de 'negativa', com nota 'BBB-'.

- PETROBRAS PN avançou 3,27%, na esteira do forte aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, onde o contrato de Brent fechou em alta de 2,84%, a 50,25 dólares o barril. PETROBRAS ON subiu 3,63%. No setor, PETRORIO ON fechou em alta de 6,08%.

- ITAÚ UNIBANCO PN valorizou-se 3,31% e BRADESCO PN subiu 4,12%, com o setor de bancos ainda se beneficiando da rotação de portfólios para ações de 'valor'. BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 5,2%, em sessão também marcada por evento com analistas e investidores, do qual a equipe do Safra saiu com uma visão otimista do banco, apoiada em perspectivas de que o BB deve aumentar sua rentabilidade.

- SULAMERICA UNIT avançou 4,87%, com a equipe do BTG Pactual reiterando recomendação de 'compra' para os papéis após participar de evento da seguradora com analistas e investidores, destacando que se trata de uma das melhores opções em saúde, oferecendo uma combinação vencedora de valuation relativamente atraente e um 'momentum' robusto de lucros.

- SUZANO ON caiu 3,68%, acompanhando o declínio de 2,55% do dólar em relação ao real, enquanto, ainda no setor de papel e celulose, KLABIN UNIT fechou acréscimo de 0,29%.

- MAGAZINE LUIZA ON recuou 2,42%, atingida por realização de lucros após forte valorização desde o começo da pandemia. Na mesma linha, Via Varejo perdeu 1,1%. B2W, que sobe menos no ano do que as rivais, mudou de sinal e encerrou o dia com elevação de 0,12%.

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