Economia Indústria contrata mais que demite em janeiro pela 1ª vez em 10 anos

Indústria contrata mais que demite em janeiro pela 1ª vez em 10 anos

Com sete meses seguidos de alta, em janeiro o índice do número de empregados ficou em 51,3 pontos, segundo sondagem da CNI

Agência Estado - Economia

Resumindo a Notícia

  • Pela primeira vez, em dez anos, as contratações superaram as demissões no mês de janeiro
  • Emprego industrial acumula sete meses consecutivos de alta
  • Contratações refletem rápida recuperação da indústria no 2º semestre de 2020
  • Expectativas dos empresários industriais pouco se alteraram e seguem otimistas
Em dez anos, Contratações superam demissões no setor industrial, segundo sondagem da CNI

Em dez anos, Contratações superam demissões no setor industrial, segundo sondagem da CNI

Ayrton Vignola/Estadão Conteúdo - 24/02/2021

Pela primeira vez, em dez anos, as contratações superaram as demissões no mês de janeiro na indústria. A Sondagem Industrial, divulgada nesta quarta-feira, 24, pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), mostra que o índice de evolução do número de empregados ficou em 51,3 pontos em janeiro de 2021. Assim, o emprego industrial acumula sete meses consecutivos de alta.

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O indicador varia de zero a 100, sendo 50 pontos a linha de corte que separa a alta da queda no emprego. Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, as contratações refletem a rápida recuperação da indústria no segundo semestre do ano passado.

A  UCI (Utilização da Capacidade Instalada) ficou em 69%, o que é o maior porcentual para o mês de janeiro desde 2014, embora seja um ponto porcentual menor que o registrado em dezembro de 2020. Já a produção industrial seguiu o movimento normal do início do ano, registrando desaceleração e queda em relação a dezembro de 2020. O índice de evolução de produção ficou em 48,2 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, o que revela queda na produção.

"A queda na atividade industrial foi mais forte na passagem de 2020 para janeiro de 2021 do que nos três anos anteriores. No entanto, a produção dos últimos meses do ano passado também esteve mais aquecida. O que percebemos é que, mesmo com a queda, a produção se mantém em nível relativamente elevado, o que explica a alta do emprego em janeiro", avalia Azevedo.

A pesquisa revela ainda que os estoques estão abaixo do que as empresas planejavam, mas a queda foi menos intensa e menos disseminada em janeiro do que nos meses anteriores. Além disso, a distância entre o nível de estoque desejado e o estoque efetivo diminui.

"Como a situação ainda não se normalizou, esse fato indica que, possivelmente, os empresários estão planejando trabalhar com nível de estoque mais baixo do que no passado", avalia a entidade.

O índice de evolução do nível de estoques ficou em 48,3 pontos em janeiro, o que é 2,8 pontos maior que o registrado em dezembro de 2020, apesar de estar abaixo dos 50 pontos, indicando diminuição dos estoques.

Expectativas

A Sondagem revela que as expectativas dos empresários industriais pouco se alteraram e seguem otimistas. Os índices de expectativas variaram pouco de janeiro para fevereiro de 2021 e se mantiveram em patamar elevado, distantes da linha dos 50 pontos.

"Ou seja, indicam que os empresários continuam esperando crescimento da demanda por seus produtos e da quantidade exportada, e pretendem aumentar a compra de matérias-primas e o número de empregados", diz a pesquisa.

A intenção de investir, no entanto, apresentou recuo, passando de 59,9 pontos em janeiro de 2021 para 58,3 pontos em fevereiro, queda de 1,6 ponto. Em relação a fevereiro do ano passado, o indicador apresenta ligeira queda de 0,4 ponto.

Para a pesquisa foram ouvidas 1.804 empresas, sendo 437 grandes, 618 médias e 746 pequenas, entre os dias 1º e 12 de fevereiro.

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