Indústria critica manutenção dos juros a 15%: ‘Extremamente conservador’
Superintendente de economia da CNI afirma que política monetária está inviabilizando crescimento maior
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), anunciou, nesta quarta-feira (28), a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. A medida teve repercussão negativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais, que esperavam uma redução nos juros do país.
Já o setor produtivo apontou os impactos da decisão sobre o crescimento econômico, o crédito e o emprego. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avaliou que esse patamar de juros impõe um custo elevado à economia e desconsidera a trajetória recente de desaceleração da inflação.

Para Marcio Guerra, superintendente de economia da CNI, a decisão do Copom interfere diretamente no crescimento do país, estagnado na casa dos 2% nos últimos anos. Com a taxa de juros alta, ele aponta que, além do recuo de empresas para adquirir novos empréstimos, há também um impeditivo para a população, que vê seu dinheiro menos valorizado.
“Isso encarece o preço do dinheiro, ou seja, quando a população quer comprar uma geladeira, um fogão ou um outro equipamento e precisa fazer um crediário, essa taxa de juros influencia diretamente no consumo. Então, ela prejudica também a indústria, porque a indústria deixa de vender por conta dessa taxa de juros elevada”, comenta Guerra em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (29).
O membro da CNI ainda pontua que mesmo com indicadores bons da economia nacional, há um temor de prejuízos pelo nível lento de crescimento registrado em alguns deles. Com a necessidade de um crescimento mais expressivo, Guerra aponta que somente a redução da Selic seria a chave para a melhores resultados no país.
“Então esse patamar realmente, é o entendimento nosso da indústria, é que é extremamente conservador, a política monetária está fazendo com que a economia ande com freio de mão puxado e o momento passou, esse conservadorismo já poderia dar espaço a uma política um pouco mais confortável para viabilizar esse crescimento”, afirma.
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Outro ponto que gera preocupação ao membro do CNI é a falta de investimentos nos setores que precisam crescer para atender às demandas do novo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, algo que exige tempo para preparação.
Para Guerra, reduzir essa taxa neste momento pode significar a possibilidade da indústria se preparar propriamente para esse acordo. Caso ocorram atrasos no início dos investimentos, isso poderia custar problemas para a modernização do parque tecnológico e diminuir a competitividade do país entre seus pares.
“Mais emprego nós vamos gerar, mais renda nós vamos gerar e um crescimento da economia vai vir de uma forma mais concreta, que é isso que o Brasil precisa”, conclui.
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