Inflação

Economia Mínimo sem ganho real dará pouca margem de manobra às famílias

Mínimo sem ganho real dará pouca margem de manobra às famílias

Reajuste apenas pela inflação oferece menos condições para lidar com alta dos preços, mas medida pode equilibrar contas e beneficiar economia

  • Economia | Fernando Mellis e Gabriel Croquer*, do R7

Alimentos pesam no bolso das famílias mais pobres

Alimentos pesam no bolso das famílias mais pobres

Paulo Whitaker/Reuters

A decisão do governo de reajustar o salário mínimo apenas pela inflação do ano anterior pode ter efeitos negativos para as famílias de baixa renda. Isso porque os alimentos são os que mais pensam para esse público. Mas a mudança pode contribuir para que o país consiga melhorar as contas públicas, o que beneficia a economia em geral.

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Vale ressaltar que os preços dos alimentos são mais voláteis do que de outros itens, como transporte público, e tarifas de energia e água, por exemplo. 

Sem ganho real no salário mínimo, o cidadão terá que enfrentar a inflação de um ano todo esperando apenas a reposição da perda do poder de compra no ano seguinte, explica o economista André Braz, do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

"Quando o ano vai avançando o poder aquisitivo vai ficar defasado, já que o reajuste [do salário mínimo] não é automático", acrescenta.

Famílias com crianças tendem a desembolsar mais dinheiro em época de compra de material escolar. Famílias com idosos gastam mais com medicamentos.

"Quanto menos se ganha, mais a cesta [de consumo] é rica em alimentos e pobre em serviços. A percepção da inflação vai ser diferente de acordo com a configuração familiar, algumas pessoas, de fato, vão perceber uma inflação maior do que a oficial", observa o economista.

Nesse caso, sem o ganho real, a possibilidade de construir uma reserva financeira para ter margem de manobra fica comprometida.

Pela proposta da equipe econômica, o salário mínimo sairia dos atuais R$ 998 para R$ 1.040 no ano que vem: reajuste de 4,2%. O índice usado para o reajuste será o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) que abrange famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos.

Nos últimos 12 meses encerrados em março, o INPC acumula alta de 4,67%.

Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, a medida do governo será positiva para a população. “Com aumentos reais no salário mínimo, nós pioramos a condição, especialmente de quem ganha menos, porque eles vão sofrer com a inflação. Terão a mesma renda, mas uma inflação maior.”

Juliana argumenta que o crescimento real do salário mínimo por parte do governo aumenta a renda dos poucos brasileiros que recebem o benefício protocolarmente, aumentando os preços para grande parte daqueles que trabalham e não recebem o mínimo e também para a grande parcela da população que recebe ainda menos do que este valor.

O ajuste de acordo com a inflação acaba também não prejudicando os brasileiros contemplados pelo benefício, aponta a economista. Ela afirma que aumento real no salário mínimo acabou contribuindo com a piora da distribuição de renda.

*Estagiário do R7, com supervisão de Ana Vinhas

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