Mulheres investem valor médio maior do que homens na Bolsa, mas ainda são minoria
Investidoras mantêm, em média, R$ 3.029 em renda variável, superando público masculino; presença feminina atinge 1,4 milhão
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mulheres ainda são minoria entre os investidores na bolsa brasileira, mas têm valor mediano aplicado maior do que o dos homens. Dados da B3 mostram que as investidoras mantêm, em média, R$ 3.029 em renda variável, enquanto entre os homens o valor é de R$ 1.682. Atualmente, cerca de 1,4 milhão de mulheres investem em ações e outros ativos, o equivalente a 26% do total de investidores.
O número de investidoras segue em crescimento. Segundo o levantamento, cerca de 55 mil mulheres passaram a investir em renda variável em 2025, ampliando a presença feminina nesse mercado.
Segundo Darla Sierra, sócia e CEO da VLG Investimentos, os dados não explicam diretamente as causas dessa diferença, mas estudos sobre comportamento financeiro ajudam a interpretar o fenômeno.
“Existe uma hipótese discutida em pesquisas de finanças comportamentais de que muitas mulheres entram no mercado financeiro depois de já terem acumulado uma base patrimonial maior. Quando o investidor entra já com uma base patrimonial maior, tende a ter mais clareza de objetivos, levar a carteira por mais tempo e ser mais disciplinado na execução”, afirma.
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O avanço do número de investidoras tem sido registrado em todo o país. De acordo com a B3, todos os estados tiveram aumento da presença feminina na renda variável.
Para Sierra, o movimento está ligado a mudanças no acesso à informação e no próprio mercado financeiro. “Primeiro, há mais acesso à informação, a criadores de conteúdo e a canais que falam sobre finanças de forma mais acessível. Também existe uma maior participação feminina no mercado de trabalho, com maior geração de renda”, analisa.
Ela acrescenta que o mercado financeiro passou por transformações que ampliaram o acesso aos investimentos. “Hoje existem menos barreiras e mais formas de o cliente acessar esse conjunto de investimentos. Isso reduz obstáculos que poderiam afastar investidores de forma geral, inclusive mulheres.”
Diferenças de comportamento
Estudos sobre finanças comportamentais apontam diferenças no perfil de investimento entre homens e mulheres, especialmente em relação à tomada de risco.
“De um modo geral, os estudos mostram que as mulheres têm uma abordagem mais disciplinada e menos impulsiva em relação ao risco. Isso não quer dizer aversão ao risco, mas uma tomada de decisão mais criteriosa”, afirma Sierra.
Segundo ela, essa postura também costuma estar associada a uma preocupação maior com objetivos de longo prazo. “Talvez dê para inferir também que esse olhar mais disciplinado acaba vindo acompanhado de uma preocupação maior com o longo prazo.”
Distribuição regional
Os dados da B3 também mostram concentração regional das investidoras. Seis em cada dez mulheres que aplicam em renda variável (60,2%) estão na região Sudeste. Em seguida aparecem Sul (15,6%), Nordeste (12,6%), Centro-Oeste (7,9%) e Norte (3,7%).
O maior estoque mediano é o das investidoras do Sudeste, com R$ 4.147 por pessoa, enquanto o menor valor mediano é registrado entre as mulheres do Norte, com R$ 611.
No recorte por estados, o Tocantins apresentou o maior crescimento percentual de investidoras entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, com alta de 7,34%. Na sequência aparecem Amapá (6,95%) e Ceará (6,94%).
Em números absolutos, o maior aumento ocorreu em São Paulo, com 17.768 novas investidoras. Depois aparecem Rio de Janeiro (6.598) e Minas Gerais (6.089). Segundo a B3, todos os estados registraram crescimento na presença feminina no período.
Barreiras
Apesar do crescimento da participação feminina, as mulheres ainda são minoria entre os investidores. Para Sierra, a ampliação da presença feminina no mercado financeiro e em posições de liderança tende a reduzir parte dessas barreiras.
“Quando as mulheres se veem possíveis nesse mercado, isso já diminui a barreira. O fato de termos mais mulheres atuando no mercado, ganhando mais dinheiro e alcançando mais posições de liderança faz com que a tendência seja termos também um aumento no número de investidoras.”
Segundo ela, o acesso à informação e a orientação profissional também influenciam o avanço desse público no mercado de renda variável.
“Quanto mais acesso à informação e a profissionais de qualidade, maior a chance de aumentar não só o volume, mas também a velocidade de alocação nesse tipo de ativo”, enfatiza.
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