Economia Natal de 2021 é o mais desigual dos últimos 14 anos, aponta FGV

Natal de 2021 é o mais desigual dos últimos 14 anos, aponta FGV

Avanço da desigualdade entre as famílias ocorre mesmo com as estimativas de resultados melhores para o comércio

  • Economia | Do R7

Natal de 2021 é mais magro para famílias de baixa renda

Natal de 2021 é mais magro para famílias de baixa renda

LUCAS MARTINS/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 24.12.2021

A diferença entre a intenção de compras de Natal entre as famílias mais ricas e aquelas que faturam até R$ 4.800 atingiu 44,4 pontos neste ano. Trata-se do maior patamar da série histórica do indicador coletado desde 2007, de acordo com dados do o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O avanço da desigualdade entre as famílias de menor e maior poder aquisitivo ocorre mesmo com as estimativas de resultados melhores para o comércio com a ajuda da celebração, ainda que o desempenho seja pior do que o apresentado nos anos anteriores.

Viviane Seda, coordenadora das Sondagens da FGV, afirma que o período melhor para o comércio do que no ano passado não representa um dado favorável na comparação com anos anteriores, já que os consumidores seguem cautelosos em relação ao consumo.

"As famílias de mais baixa renda, a maior parcela da população, são as mais afetadas. Para elas, o Natal será mais magro. Muitos não vão comprar presentes, e mesmo aqueles que vão comprar dizem que gastarão menos”, afirma ela.

De acordo com os dados, a melhora do indicador foi puxada pelo crescimento da proporção de consumidores que pretendem aumentar o gasto com presentes, que saltou de 5,5%, em 2020, para 15,4%, neste ano.

O preço médio dos presentes, por sua vez, passou de R$ 104 para R$ 106, mantendo-se relativamente estável, com alta de apenas 1,9%. A maior variação, de 21,4%, foi entre os consumidores com renda de R$ 2.100 a R$ 4.800, cujo valor médio das lembranças subiu de R$ 70 para R$ 85. Já para os consumidores de renda mais baixa, o menor valor médio de presentes caiu para R$ 59 em 2021.

Viviane analisa que a pesquisa traz um reflexo da reabertura da atividade econômica. “As vendas online continuam mantendo o padrão adquirido na pandemia. O que ocorre é que, com o relaxamento das medidas restritivas, os consumidores voltaram a ir às lojas.”

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