Economia Negociação por falta de pagamento da conta de luz cresce 51% neste ano

Negociação por falta de pagamento da conta de luz cresce 51% neste ano

No período de janeiro a maio, o número de pedidos de parcelamento de dívida passou de 128 mil, em 2021, para 193 mil, em 2022

  • Economia | Ana Vinhas, do R7

Resumindo a Notícia

  • A média mensal de parcelamento de dívida de conta de luz cresceu 51%
  • Somente no estado de São Paulo, esse índice chegou a 77%
  • Segundo a Enel, clientes têm buscado cada vez mais a negociação de dívida
  • Entre janeiro de 2020 e maio deste ano, foram 4,2 milhões de pedidos
Conta de luz em São Paulo (SP) teve aumento de 77% de negociações

Conta de luz em São Paulo (SP) teve aumento de 77% de negociações

ALLISON SALES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-07/04/2022

A média mensal de negociações de parcelamento de dívida de conta de luz aumentou 51% neste ano. Segundo a Enel Brasil, o dado mostra que os clientes têm buscado cada vez mais opções de parcelamento de dívida. No caso de São Paulo, o índice chega a 77%.

Os pedidos de parcelamento de dívidas antigas nas quatro distribuidoras do grupo (Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Ceará) já haviam aumentado desde o início da pandemia de Covid-19. No período de janeiro a maio, a negociação passou de 84 mil, em 2020, para 128 mil, em 2021, e chegou a 193 mil neste ano.

Ao todo, entre janeiro de 2020 e maio deste ano, a Enel Brasil recebeu cerca de 4,2 milhões de pedidos de negociação. Em São Paulo, o consumidor pode parcelar o pagamento da dívida em até 12 vezes, durante a campanha Enel Facilita, que será realizada nos dias 16 e 23 de julho. 

A inadimplência no pagamento de serviços básicos, como água e luz, bateu recorde em março deste ano. Segundo a Serasa, o percentual foi de 23,2%, o maior índice para o mês dos últimos quatro anos. O número representa um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2019.

Para o economista Robson Gonçalves, professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), o aumento do número de negociações ainda é uma herança do período mais crítico da pandemia de Covid-19.

Os níveis de emprego em 2022, apesar de uma crescente precarização dos postos de trabalho, vêm subindo progressivamente. Na medida que as famílias passam a ter no horizonte uma renda mensal razoavelmente garantida, elas procuram pôr em dia as contas que ficaram atrasadas no passado. Essa mistura da herança do período mais crítico da pandemia com a retomada progressiva do emprego é o que explica esse aumento de negociações.

Robson Gonçalves, professor de MBAs da FGV

A diarista Neildes dos Santos Campos, de 60 anos, que mora em Santana de Paranaíba, na Grande São Paulo, foi uma das consumidoras que precisaram negociar a conta em atraso. Ela chegou a ter a energia cortada de sua casa por falta de pagamento. "Mas agora está tudo certo, com a conta em dia", disse Neildes.

A companhia tem feito campanhas de renegociação de dívidas para os clientes na sua área de atuação. Segundo a Enel, as faturas em atraso podem ser parceladas em condições facilitadas e adequadas para cada perfil de dívida e cliente. A negociação pode ser realizada de forma online, pelo site da companhia ou nas lojas e postos de atendimento das distribuidoras.

Os consumidores que se encaixam no perfil baixa renda contam ainda com o benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica, programa do governo federal que concede descontos nas tarifas de energia.

Podem receber a tarifa social famílias inscritas no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) com renda mensal, por pessoa, menor ou igual a meio salário mínimo nacional; idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o BPC (Benefício de Prestação Continuada); ou famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal de até três salários mínimos e que tenham membro portador de doença ou deficiência.

Contas em dia

Segundo o economista, manter as contas em dia exige fazer gestão das dívidas que ficaram do passado. A negociação de dívida, trocando por dívida mais barata, a priorização de gastos e a pesquisa antes das compras são o trio básico para manter o orçamento das famílias.

Por exemplo, trocar dívidas do cheque especial ou cartão de crédito por crédito pessoal oferecido pelos bancos. Apesar de a taxa de juros estar em elevação, é sempre muito pior nessas modalidades. Outra medida é priorizar os gastos e, principalmente, pesquisar. Hoje em dia, os preços não só estão em elevação como estão muito dispersos. Então, o mesmo item de alimentação pode ser encontrado a preço muito diferente.

Robson Gonçalves, economista

A conta de luz ficou 10,01% mais cara em São Paulo desde esta segunda-feira (4). Mas a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) poderá ajudar a frear o impacto do aumento para o consumidor e aliviar a pressão na inflação. 

"Até o final do ano existe uma pesrpsctiva de alívio na inflação por conta da redução do ICMS dos combustíveis. Se essa melhora nos preços dos conbustíveis se espalhar pela economia e a inflação fechar abaixo dos dois dígitos, ao mesmo tempo que o nível de emprego vai subindo,  cria-se um ambiente muito mais favorável para que as famílias mantenham a conta em dia e saiam das dívidas que contraíram no período mais grave da pandemia, além de evitar novos processos de endividamento e atraso nas contas essencials, como a de energial elétrica", avalia o professor de MBAs da FGV.

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